Capítulo 4 1/2

Agora na fila do supermercado, Luiz Gustavo nem repara que Marina ainda o observa. Só amanhã, na praia, os dois se conhecerão de fato, formalmente, quando então começará nossa história, que como toda história tem, como se vê, seus antecedentes, – esse balé cósmico que vai conjugando elementos e forças até que algo ocorre, mais substancial, visível e palpável. Esse o mistério que anima os fatos, espécie de sombra transparente que tudo traz de si, sem que sequer nos demos conta. Se não fosse véspera de lua cheia e Marina, inquieta e sem sono, não tivesse resolvido de repente descer com Bill para comprar a ração dele no supermercado, talvez a vida tivesse corrido de outro modo e nada do que está para acontecer, acontecesse. É estranho como tudo parece ao mesmo tempo tão exato e frágil nesta vida.

Na saída, Luiz Gustavo ainda brincou com Bill, que esperava com uma paciência incomum aos labradores a volta de Marina amarrado ao bicicletário do supermercado. Bill gosta dos carinhos de Luis Gustavo – e se hoje é cão, amanhã, cupido.

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