Capítulo 4

Ia falar de de Luis Gustavo, mas Beatriz acabou tomando para si todo o capítulo.

Ia falar da felicidade de Luis Gustavo naquela noite por causa de Beatriz. Luis Gustavo ama Beatriz, não há dúvida. Como amou todas as mulheres que teve nesses dez anos que estão juntos. E que nem foram tantas assim, uma ou duas, talvez três, a cada ano, quase sempre nos momentos em que Beatriz mergulhava no trabalho, às vezes obrigada a viajar e ficar longe por semanas.

Mas era a Beatriz que Luis Gustavo amava, era para ela que ele sempre voltava. Amava de um jeito muito seu, como se fosse sempre o primeiro dia, um amor que nunca perdia em intensidade, mas também não se desenrolava como história. Um amor, digamos assim, que crescia para o alto, mas não para os lados. Porque na cabeça de Luis Gustavo simplesmente não existiam as palavras casamento, família, filhos. Não chegava a se afligir quando sua mãe perguntava – e perguntava com cada vez mais insistência a ele e a Beatriz – “Quando você vai me dar um neto?”, mas no fundo se sentia incomodado com aquilo. Gostava de sua vida como ela era e falar em filhos era, mal comparando, como falar em mais impostos na casa de um milionário.

Como Beatriz jamais propusera algo semelhante – nem sequer morarem juntos – e as outras nunca duravam o bastante para chegar a esse ponto, Luis Gustavo podia continuar vivendo em seu paraíso pessoal e fora do tempo.

Haverá quem diga que isso não é amor. Ao que responderei simplesmente: tudo é amor. Estamos condenados ao amor e o que nos diferere é a qualidade do amor que somos capazes de dar e receber.

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