As milícias e o elitismo excludente da Globo

Todos os depoimentos que ouvi até agora sobre as ditas “milícias” foram favoráveis. O que são, afinal, as milícias? Policiais, ex-policiais e bombeiros que no horário de folga prestam serviço de segurança privada. Obviamente, paga. Ora, essa é exatamente a mesma definição dos seguranças que trabalham em shoppings, condomínios e em ruas da Zona Sul carioca.

E, no entanto, como prestam o mesmo tipo de serviço para as classes pobres de favelas e subúrbios essas ditas “milícias” estão sendo demonizadas pelos jornais e TVs. Para o Jornal Nacional, na edição de quinta-feira, 08/02, a culpa do trucidamento do menino João foi… das milícias!

O raciocínio é simples. As mílicias expulsaram os traficantes da favela. Desempregados, eles foram obrigados a trabalhar “no asfalto”.

A TV Globo vive falando em elitismo e exclusão, mas é exatamente o que pratica ao chamar de “milícias criminosas” a segurança privada contrata pelas comunidades mais pobres do Rio.

A classe média deveria festejar que as classes mais pobres já sejam capazes de produzir um excedente de renda que em vez de investir em mais produtos prefiram investir na segurança dos bens já adquiridos.

Ou seja, os mais pobres estão aderindo aos valores burgueses, à defesa da propriedade privada e também confrontando o Estado ineficaz e corrupto. O nome disso é “ascensão social”.

Burramente, entretanto, cai na cantilena da TV Globo que defende seus interesses. Muito provavelmente o que mais a aborrece é que “as milícias” comercializam o “GatoNet”, venda ilegal do sinal da TV a cabo Net que pertence às Organizações Globo. Ora, se o “GatoNet”, praticada generalizada no Rio de Janeiro e não só nas comunidades carentes, não afeta o sinal da Net, isso significa que a empresa bem poderia ao menos estudar uma diminuição dos preços que promovesse uma universalização do serviço. Consta que nas favelas p Gato Net é comercializado a 30 reais. Por que a Globo não aposta que a baixa dos preços seria acompanhada de uma legalização generalizada? Talvez porque a Globo seja elitista e excludente.

Também acusam as “milícias” de cobrar um ágio de 5 reais sobre a venda de cada botijão de gás.Na verdade, é mais justo do que repassar esse ganho para o preço do serviço principal. Basta fazer a conta. Um botijão dura mais de dois meses. Digamos que, em média, um favelado compre 5 bujões por ano. Serão 25,00 reais de ágio. Mais 30 reais por mês que é a “tabela” das milícias, isso significa um investimento anual de 385 reais em segurança.

Ao que parece, outros serviços também pagam “imposto” para se instalar. Mas até onde eu sei, ninguém reclama e acha justo. Por quê? Simples. Ao contrário do Estado, eles devolvem em serviço aquilo que cobram.

4 Comentários

  1. Entendo por “milícia” um força de segurança privada CONTRATADA e CONTROLADA pelos moradores para fazer frente ao poder do tráfico e da própria polícia. Qualquer outra coisa é mera concorrência com o tráfico e a polícia. Tampouco creio que seja a solução ideal ou sequer a desejável. É a única alternativa de uma população desesperada. Porque é óbvio que as pessoas querem lei, ordem, segurança, conforto. O Estado deveria ser o “interventor/ mediador”? Acho que sim. ao menos ainda. Em colaboração e sintonia com os cidadãos.Pelo mesmo princípio que spu a favor do livre armamento do cidadão, sou pela discriminação de produção, comércio e consumo de todas as drogas. Porque o Estado só pode legislar sobre a relação entre indivíduos para não permitir q a lei do mais forte prevaleça. Mas jamais sobre a relação do individuo consigo mesmo. Ou seja: vc não pode matar a não ser em legitima defesa, mas ninguém pode impedir vc de ter uma arma. Vc não pode dirigir bêbado, mas ninguém pode impedir vc de beber. E por aí vai.Acho q as leis devem ser duras com os criminosos justamente para garantir o exercício dessa liberdade individual.É nisos que acredito: liberdad eindividual.Não idealizo o Estado, mas tb não idealizo o crime. É lamentável q populações inteiras do Rio esteja msumetidas a esse dilema.

  2. Você mora onde? Ipanema? leblon?São Conrado?Posso afirmar que você está totalmente alienado quanto à verdade da presença dos ‘milicianos’, eles exterminam artistas, tatuadores… quando assumem o domínio de uma região.. subjugam a comunidade à pressões, expulsam moradores, assumem negócios.Sou morador de uma área controlada.. assim como meu pai também.. assim como outros amigos que exercem meu ofício (músico/produtor)…

  3. Os caminhos para o Estado Mínimo sendo traçados: uma grande tolice.Mesmo o mais visionário e romântico dos anarquistas sabe ser uma estupidez minimizar ou extinguir o Estado. A questão é com o poder, e não é nem a de minimizá-lo ou extinguí-lo, algo impossível, mas disseminá-lo, o que só se fará em segurança em mentes sadias.O Estado, ele mesmo, é inextirpável. Somos nós o Estado: trata-se da consciência de sermos gregários, de precisarmos um do outro para viver, embora alguns de nós pensem em contrário (mas esses não são o problema, pois já vivem em seus eremitérios) e outros creiam precisamente nisso, mas cobertos de más intenções.É o caso do David Friedman. Em seu capitalismo insano imagino que até a consciência venha a ser um produto oferecido de tempos em tempo em liquidações. Ele que eliminar o Estado para lucrar em liberdade quem mais poder tiver.É por essa e outras que estou certo de caminharmos para um anarquismo, passando brevemente pelo comentado ‘anarco-capitalismo’, mas não tão cedo para um anarquismo de tipo godwiniano ou kropotkiniano, e sim para o stirneriano. Detalhe: em minha opinião o Stirner não fala como o proponente de uma solução para a instável condição gregária do homem, mas como profeta.Quantos séculos ou milênios terá a humanidade de passar às voltas com o ego e o que lhe pertence? Seria uma questão de apenas vontade o advento do mundo melhor?Ora, perda de tempo essa preocupação com semelhantes assuntos quando nem eu nem descendende direto meu nenhum viverá para vê-los. Não se trata de outro desafogo de mais um egoísta, mas de quem começa a cansar de lidar com os argumentos distorcidos justificando toda essa miséria.

  4. Na minha rua classe=média, um guarda perambula pelas ruas, usando a fantasia da farda e apito. Infelizmente,não são eficientes………………………Vi o JN. Para dar ‘legitimidade’ à sua interpretação dos fatos, mostraram-se estatístas em bonitos gráficos.Estas revelavam que tinha havido um deslocamento dos jovens das favelas : do tráfico de armas para o roubo de carros. Organizadinhas e coloridas, essas estatísticas bastavam-se. não se preocuparam em revelar , por ex, as causas da mudança.

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