Burrice digital

Não posso falar dos outros jornais, porque sou assinante apenas de O Globo.
Mas considero um erro crasso eles terem dividido o jornal em duas entidades independentes: o jornal impresso e o jornal online.

O primeiro absurdo salta aos olhos: há duas linhas editoriais claramente distintas e em algumas editorias essa diferença chega a ser oposição, como é o caso da editoria internacional. onde o jornal impresso segue uma linhamais crítica em relação à Cuba, Venezuela e países islâmicos, enquanto a versão online é claramente chavista e anti-israelense.

Pior ainda é o leitor do jornal impresso se sentir definitivamente alienado do universo digital. A versão digital do jornal impresso é, para dizer o mínimo, pouco funcional. Imagine o leitor que amanhã alguém resolva lançar um formato novo de jornal impresso. Todos os jornais são verticais, isto é, mais compridos do que largos. Pois a inovação consistiria em se fazer um jornal horizontal, mais largo do que comprido.

A versão digital de O Globo impresso é isso, algo que se tem de ler de um modo inteiramente diverso do comum de todas as páginas da Internet. Outra lógica, outra dinâmica. Uma chatice, enfim, que aos mais velhos lembra aquelas desagradáveis moviolas usadas para se ver microfilmes.

E mais – o que é quase um insulto: o leitor do jornal impresso que se aventura na versão digital não tem direito a comentários! Ou seja, a versão digital do jornal não é um canal de comunicação direta entre o leitor e o jornal.