Saudação a maio

Enfim, meu maio tão amado está de volta, com suas manhãs luminosas e suas noites límpidas. De manhã, a brisa sopra do sul e um sol que doura sem queimar reina preguiçoso sobre praias vazias, de águas calmas e cálidas. As noites não são menos belas, com seu céu de veludo cintilante de estrelas.

Eis o quadro desses dias que espero o ano todo. Torno-me um turista em minha própria cidade e redescubro a mim e ao mundo como novidade. Se Deus me concedesse, minha eternidade seria em maio. Porque maio é o melhor mês do ano em qualquer lugar do planeta.

Mas, enquanto elaborava a crônica, minha saudação anual a maio, eis que o tempo, mais ágil do que eu, muda de repente e uma frente fria usurpa os céus de maio com suas hostes cinzentas de nuvens carregadas de chuva. Que fazer, leitor, se ainda ontem era maio e hoje me amanhece junho?

Chove. Chove copiosamente, a quase me desmentir a crônica. Chove desde muito cedo sem parar. Chove e faz frio. A previsão é que volte a ser maio amanhã ou depois. Tomara. Esta chuva inesperada é de uma deselegância revoltante.

Neste exato instante, um embate de ventos contrários de sul e norte decide no alto dos céus se haverá maio – e quando. Importa pouco: mesmo quando começa sonsamente em abril ou junho o invade com o inverno antes do tempo contado nos calendários, maio é um estado de espírito, um modo de ser feliz. Calma alegria, discreta exuberância, um tanto de primavera, um tanto de outono, eis a receita de ser maio. E isso, quando se inscreve na alma da gente, não há vento que apague. Por isso, tenho fé: logo será de novo maio.

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Na edição de segunda-feira passada, só a Tribuna saiu com manchete verdadeiramente jornalística: “Juiz ajuda e Fla leva o título” (Eu ainda seria mais enfático: “Juiz erra e dá campeonato ao Flamengo”).
Todos os outros jornais cariocas escolheram manchetes óbvias, feitas para agradar à torcida rubro-negra. Escolheram o comércio e não a informação. Uma vergonha. Começa-se acreditando que não existe isenção e a verdade é relativa e se acaba assim, cego como o mais relés torcedor ou mero vendedor travestido de jornalista.

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Foi a segunda vez que vi o Botafogo perder um campeonato aos 44 minutos do segundo tempo por conta de erro do juiz. A primeira foi em 1971… Coincidências assim são das tais coisas que só acontecem com o Botafogo.