Crise econômica

É preciso estar atento. Boa parte do noticiário e, por consequência, seus leitores, crê piamente que os Bancos Centrais “injetam dinheiro no mercado” e ponto final. Como se esse dinheiro fosse papel pintado recém-impresso.

Os BCs estão emprestando fortunas aos bancos privados para resolver um problema gravíssimo de liquidez, mas esse dinheiro terá de ser pago. Como os editores e repórteres de economia parecem não dar bola para prazos, sei que há um empréstimo do BC europeu que vence em 90 dias. E o resto?

Ou seja: daqui a três meses os bancos tomadores terão de pagar 40 bilhões de euros ao BC. Até lá farão uma corrida insana para realizar suas dívidas , se desfazer de ativos, reduzir empréstimos – enfim, se virar para pagar, como juros!, essa grana.

Claro que nesse período o mundo já começará a sentir os primeiros efeitos dessa crise que não é meramente financeira.
Digo isso por uma razão simples: estamos lidando com casas. Casas de família. Milhares de famílias perderão suas casas nos EUA. É de supor que essa gente terá de recomeçar a vida do zero, endividada, com o nome sujo e sem poupança. Estará, portanto, fora do mercado.
Suponho que suas casas serão vendidas pelos financiadores no mercado à vista para cobrir rapidamente uma parte dos débitos. Logo que comprar irá usar poupança, um dinheiro que sairá do mercado. Os bancos por sua vez, até se acertarem de novo, se tornarão mais cautelosos em seus empréstimos.

Logo, a impressão que eu tenho é que faltará crédito e consumidores no mercado a partir do fim do ano e começo do ano que vem, quando os prazos dos empréstimos dos BCs começarem a vencer.

2 Comentários

  1. Homero, eu não entendo nada de economia. Apenas me guiei pela atenção e o bom senso, duas qualidades escassas em mim.Talvez devesse ter alertado os leitores logo na abertura. De qq modo, acho bastante lógica minha argumentação. A questão é saber se correspondem aos fatos. Logo saberemos…Tenho lido alguns analistas amercianos conservadores e eles estão MUITO pessimistas. Não só quanto à economia, mas sobretudo quanto aos rumos geopolíticos.Minha impressão é q os próximos seis, sete anos serão muito, muito difíceis, tanto no plano interno quanto no externo.A idéia de que o comércio e a prosperidade poderiam em curto prazo resolver TODAS as questões está se revelando uma ilusão.

  2. Caro AntonioGostei do seu didatismo na explicação do jogo financeiro e mais ainda da explicação sobre a crise imobiliária. Seria de bom proveito para seus leitores brindar-nos com outros posts nessa linha. Precisamos de alguém que saiba interpretar os fatos e interpretá-los de forma clara.Dr. Homero

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