Os “especialistas” do Apocalipse

Há um esforço permanente, difuso e de origem sempre incerta para frear o industrialismo – seja diretamente, impondo limites à produção; seja indiretamente, provocando o aumento dos custos. Da farsa do aquecimento global às previsões de um apocalipse iminente baseadas em interpretações seja de Nostradamus, seja do calendário maia, a verdade é que não se passa um dia sem que alguma tolice catastrofista seja publicada.

A de hoje é a matéria de O Globo online anunciando para breve uma pandemia de caráter devastador, assinada por Maria Victoria Vélez, sob o título “Guia adverte empresas para a necessidade de se prepararem para a pandemia de gripe”.

Ao lermos a matéria, no entanto, percebe-se sua absoluta inconsistência.

A abertura é um primor (os grifos são meus):
“É consenso entre os cientistas que o aparecimento de uma pandemia de gripe é inevitável, embora não se saiba ainda quando vai acontecer. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), ela terá potencial para matar milhões de pessoas e fará adoecer 25% da população mundial, causando importantes impactos sócio-econômicos.”

Mais adiante, ficamos sabendo que:

“Segundo a OMS, como a pandemia será causada por um vírus desconhecido, a eficácia de vacinas como das usadas no combate à gripe sazonal estará comprometida em um primeiro momento, já que elas são desenvolvidas a partir de uma cepa viral específica.”

Ou seja: o ataque de um vírus desconhecido num futuro incerto virou consenso entre especialistas da OMS! Como tamanha imprecisão passa por informação científica é algo que deve ser perguntado ao editor de O Globo online.

Quase no fim da matéria, somos surpreendidos pelo que parece uma informação, uma ao menos!, mais precisa:

O principal candidato para causar a nova pandemia de gripe é o vírus H5N1 da gripe aviária“.

Mas logo na oração seguinte somos informados que:

“Apesar de se multiplicar no organismo humano através da transmissão entre aves e pessoas, o H5N1 ainda não conseguiu se transformar em uma forma capaz de ser transmitida entre pessoas.”

É de supor que exatamente a transmissão do vírus entre pessoas seja a condição mínima necessária para que uma pandemia se produza, não?

Na matéria, além da sigla OMS, nenhm nome é citado, nenhum dado, nada.

Abaixo, a íntegra da matéria e o link:

Guia adverte empresas para a necessidade de se prepararem para a pandemia de gripe

Maria Victoria Vélez, especial para O Globo Online

Rio – É consenso entre os cientistas que o aparecimento de uma pandemia de gripe é inevitável, embora não se saiba ainda quando vai acontecer. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), ela terá potencial para matar milhões de pessoas e fará adoecer 25% da população mundial, causando importantes impactos sócio-econômicos.

Além disso, a pandemia de gripe poderá causar perdas ao PIB mundial calculadas por especialistas da OMS e do Banco Mundial entre US$ 2 e US$ 4 trilhões de dólares. Um de seus principais impactos nas empresas será absenteísmo – ou seja, as faltas de funcionários -, que poderá atingir até 40% da força de trabalho global, comprometendo o funcionamento de vários setores da economia, como transportes e serviços.

Para ajudar as empresas a enfrentarem esta ameaça, duas respeitadas consultorias especializadas em análise de risco – Marsh e Albright Group, da ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright -, desenvolveram o guia Corporate Pandemic Preparedness (Preparação Corporativa para a Pandemia), que destaca os papéis e responsabilidades das empresas diante de uma pandemia de gripe.

Embora reconheça que governos e empresas têm objetivos e papéis diferentes diante de uma pandemia e que caberá ao setor público desenvolver e futuramente aplicar planos de contingência para enfrentá-la, o guia ressalta que seu aparecimento exigirá a cooperação dos setores público e privado ‘para elaborar medidas e estabelecer mecanismos’ de combate à doença.

Segundo a OMS, como a pandemia será causada por um vírus desconhecido, a eficácia de vacinas como das usadas no combate à gripe sazonal estará comprometida em um primeiro momento, já que elas são desenvolvidas a partir de uma cepa viral específica.

Assim, o documento recomenda às empresas que concentrem suas estratégias na prevenção e na atenuação dos efeitos da doença. O primeiro passo será avaliar o provável impacto da doença nos funcionários, para então identificar, analisar e rever as políticas, procedimentos de RH e de comunicação existentes. Depois, devem ser consideradas medidas que combatam a propagação da doença, como distanciamento social, arranjos alternativos para execução de tarefas, programas de retorno ao trabalho e a revisão das políticas de viagem. As soluções combinadas deverão ser definidas em um plano de prontidão que leve em conta o perfil e a tolerância da empresa aos riscos que se apresentarem.

‘Os impactos sociais estão diretamente vinculados à saúde e ao bem-estar dos funcionários, clientes e parceiros de negócios. Compreender como responder aos impactos sociais desta ameaça é fundamental (…). O impacto econômico de uma pandemia pode ser extremamente severo e está diretamente vinculado à habilidade da organização em se recuperar e retomar suas operações normais’, destaca o documento.

Segundo especialistas, hoje, o principal candidato para causar a nova pandemia de gripe é o vírus H5N1 da gripe aviária, uma cepa letal que já infectou uma centena de pessoas e matou mais da metade delas na Ásia. Por enquanto, a doença é endêmica, ou seja, se restringe àquela região.

Apesar de se multiplicar no organismo humano através da transmissão entre aves e pessoas, o H5N1 ainda não conseguiu se transformar em uma forma capaz de ser transmitida entre pessoas. Atualmente, a infecção com o vírus é combatida com os antivirais Tamiflu e Relenza.

No Brasil, a Secretaria de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde é a encarregada de controlar e monitorar epidemias e pandemias. É dela a responsabilidade pelo Plano de Preparação para a Pandemia de Influenza, que prevê medidas sanitárias que vão da prontidão hospitalar ao controle de portos e aeroportos. Lançado em 2005, o plano foi o primeiro do tipo desenvolvido na América Latina e será implantado assim que a OMS der o alerta de emergência da pandemia.