Sobre a arte

Esse o problema: kant e quem acredita nele empurra o em si para além dos olhos, quando é exatamente ali que ele está. A coisa em si é o que me aparece. Exatamente e nada mais. Então já não aceito essa idéia de em si. A obra de arte ou o objeto totêmico – ele sim objeto-navio, onde coisas se depositam, objeto-farol com quem se relacionam – ele tem uma relação apenas circustancial com o mundo, a história, a cultura que lhe são contemporâneas. Claro, se relaciona com tudo isso – história, mundo, cultura – tudo isso existe de fato, não estou negando isso. ainda q eu não os veja definidas por tensões antagônicas q nunca se resolvem de todo (não que com isso eu negue o binário, a redução final ao binário que é o próprio do finito: ser finito é estar submetido ao jogo binario de ser e deixar de ser todo tempo, saber-se finito e ver-se passando, seguir de si o próprio traço destino e delícia da consciência contemplar-se)

Então quando falo em “obra de arte em si mesma” eu falo do objeto que está bem ali, ao alcance quase das mãos e dos olhos, a desafiar o tempo e a história, mais construindo-os do que sendo deles produto;