A tirania da pobreza

Ecologistas, ecólogos, ecólatras, ecopatas, econheiros, ecoistas, ecônomos, ecômetras, ecósofos. A cada dia surgem novas categorias de Ecologismo. Basta o sujeito fazer uso regular do serviço de barcas de Niterói e já se julga autorizado a lançar vaticínios sobre o destino da Natureza. “A Terra está acabando!”. E não ouse discordar ou simplesmente levantar dúvidas; ouvirá imediatamente o coro raivoso: “Em que planeta você vive?”. Se bobear, em vez de árvores acabarão queimando gente.

Concordo que é muito bom que se pense Homem, Alma e Mundo como uma coisa só. Uma luta de, pelo menos, dois mil anos que finalmente encontra os meios práticos de se realizar. A digitalização permite que se alcancem padrões mínimos e universais de trabalho, remuneração e consumo e níveis de excelência de produção e distribuição: produtos melhores e mais baratos, produzidos em escala planetária – um grande barato promovido pelo industrialismo. Essa é uma das razões porque o maoísmo do MST soa tão antiquado quanto uma vitrola pé-palito. Até a terra, para suprir a demanda crescente por mais proteína, tornou-se uma indústria.

A própria globalização é resultado da vertiginosa evolução do industrialismo. Enfim: sem industrialismo não há globalização.

Por outro lado, a principal conseqüência política da crença no aquecimento global tem sido a tentativa de controlar o crescimento dos países pobres, em especial os africanos. É duro pedir a um africano que administre um centro médico no interior movido a energia solar e eólica quando seu país é rico em petróleo e carvão. É o que se tem feito. No fundo, o que se quer é congelar o avanço do industrialismo. E transformar a África talvez numa imensa Disney.

A pergunta é: por quê? O que há de tão mau no industrialismo? O consumo! O economista “de direita” fala em inflação de demanda. O sociólogo “de esquerda” fala em consumismo – e se dão as mãos contra as pessoas comuns que não vêem nada de mau numa televisão nova, em mais leite em casa, naquele tênis ou na tal sandália.

Mais conforto, segurança e lazer é o que todo mundo deseja – com exceção talvez do economista e do sociólogo. Por outro lado, tornou-se óbvio que uma produção industrial em escala planetária implica em pensar globalmente a sustentabilidade e a poluição; a distribuição e o custo; a segurança e o crédito. E por aí vai…

Há muita poluição e a escassez de recursos é um fato. Mas o fim da tirania da pobreza é um compromisso milenar. Por tudo que li até agora sobre o aquecimento global digo que se trata de uma farsa obscurantista. Os argumentos do documentário “The Great Global Warming Swindle” continuam sem respostas consistentes.

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