Uma razão para viver

É por vaidade que reproduzo o e-mail que vai abaixo? É, sim. Uma vaidade benigna. Mas também para dividir com vocês a emoção que senti ao recebê-lo. Me comoveu tudo: a emoção do Bruno fazendo a prova, seus alunos estudando redação com os meus textos… Essa emoção me salva, me resgata quando às vezes tudo parece sem sentido, sem rumo. Essa emoção é meu mapa.

“Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;”

E então vem uma mensagem como essa e eu tenho a certeza de que tudo, absolutamente tudo em minha vida era necessário, porque eu escrevo é com a minha vida inteira e o que eu escrevo faz sentido para alguém.

Quero muito conhecer esses meus leitores. Ler para eles minhas crônicas, conversar sobre a arte de escrever. Imagino que são adolescentes ou pré-adolescentes e saber que se emocionam com minhas crônicas me enche de alegria. Segue o e-mail:

“Olá, primeiramente apresentando-me: Bruno Humberto Vontrier. Tenho 21 anos. Bangu. Rio de Janeiro. Quero começar logo ao ponto: sou apaixonado pelas suas crônicas.

Curiosa a história de como eu cheguei até ao seu site. Sabe como começou?
Acho que em 2007 ou 2006 eu fiz uma prova de Controlador de Tráfego Aéreo pela Aeronáutica (não passei), mas ganhei um presente de ouro que nunca me esquecerei: sua crônica naquela prova. “A viagem”. Que você se inspirou no que Rubem Braga produziu em ti. O estranho foi que eu chorei durante a prova. Claro que em silêncio! Mas me emocionou muito. Você descreveu a sua emoção pessoal com a escrita de Rubem Braga, sendo que ali morava sua própria emoção, que ao mesmo tempo explodia em mim. E toda hora eu ia lá e lia o texto novamente. Quando percebi, tinha perdido o foco da concentração para a prova.

Antônio Caetano, guardei a prova e a tenho até hoje. É algo fantástico. Gosto demais.
E o lado ridículo foi que eu me encantei com a tua crônica (e pensava: “Poxa, queria tanto ler mais e conhecer melhor as crônicas dele”). O que não pensei foi que a bibliografia estava indicada ao final do texto.

Somente ontem percebi que eu posso acompanhar seus textos através do Café Impresso. Contudo, hoje estou aqui demonstrando-te toda minha admiração, todo meu encantamento, minhas fantasias e minhas respeitosas reverências ao teu trabalho. Sou professor de língua portuguesa e redação. Trabalho sempre que me é possível com suas crônicas. O resultado é surpreendente. Os alunos adoram. E eu mais ainda. E te repasso essas informações todas para que você também tenha ciência do que é produzido nas pessoas, através do teu trabalho. Que palavras macias ao meu ouvido, que lirismo rebuscado… nossa!
Meus encantamentos. Sinceros!”

* * *

A crônica a que o Bruno se refere é Viagem, de fevereiro de 2001.