A farra dos banqueiros

Joelmir Beting, 04/03/2008

Juros por Deus

Seguinte: a Selic está congelada na base do sistema financeiro em 11,25% ao ano. E emite sinais de que vai ficar por aí, se não subir, em toda esta travessia de 2008. Mas os juros do crédito bancário, na ponta do sistema, voltaram a subir em janeiro, com sobras para fevereiro.

Primeiro, porque a demanda de crédito para produção e consumo continua acesa. Segundo, porque o sistema fatura a sinistrose da crise dos outros. Ou da crise made in USA e abusa.

Se o mundo vai acabar este ano, não dá para baixar nem mesmo manter juros e lucros no alto. Eles voltam a ficar em alta. Com a ressalva do morde-assopra: os juros subiram, mas os prazos espicharam ainda mais.

E para os tomadores de crédito, empresas e famílias, mais vale o prazo esticado que o juro congelado ou rebaixado. Até porque a oferta de cre´dito continua cartelizada entre nós.

Há uma competição entre bancos, até feroz, na promoção da marca, na prestação de serviços bancários e extra-bancários.

O que ainda não temos é competição entre os bancos na oferta de empréstimos, ainda que regiamente lucrativos.

Por uma simples e boa razão.

A autoridade monetária não libera ou não amplia a aplicação livre dos depósitos em banco. Metade ainda fica congelada no BC. E da outra metade, a aplicação livre não passa de R$ 1 para cada R$ 4. Vai daí que os bancos se obrigam, nos juros, a continuar ganhando mais sobre menos, na impossibilidade de ganhar menos sobre cada vez mais. E como ganham.

A oferta bancária para produção, giro, investimento e consumo mal passa hoje de um terço do PIB.

No mundo quase todo, essa mesma oferta cobre o PIB inteiro – o que me leva a concluir que, em matéria de política monetária, um dos dois deve estar errado: ou o Brasil, ou o mundo.