Teste sua fé

Fecho com o Joelmir Beting do post abaixo. Não só não acredito que a crise vá durar muito tempo, como também não acho que ela será de fato uma crise – ao menos nas proporções que se tem vaticinado. Sobretudo, penso que será uma reordenação econômica benéfica que resultará, em médio prazo, num realinhamento cambial e num novo padrão de produção, consumo e crédito.

Não é possível que ninguém saiba o nome da moeda chinesa, mantida artificialmente subvalorizada. Tampouco lembramos o nome da moeda indiana. O euro, por sua vez, não pode se manter tão valorizado em relação ao dólar. Por outro lado, um dólar baixo, nesse momento, talvez seja um bom negócio para os americanos, porque os coloca de novo no mercado produtivo: eles voltam a ser competitivos no exato momento em que a China (será por acaso ou já fará parte do marketing da coisa?) vai se tornando mais e mais antipática aos olhos do mundo.

Míriam Leitão, em sua coluna de ontem, é uma das que profetizam uma “crise longa”. Ouviu o professor Dionísio Carneiro, da PUC-Rio. O professor teria dito que “uma crise estrutural como esta demora em torno de dois anos para acabar”.

O problema é que nunca houve “uma crise estrutural como esta”. E eu pergunto: “estrutural exatamente por quê?”. E “estrutural” em que sentido? Será apenas no “sentido fraco” de que toda crise é sempre estrutural? Ou no “sentido forte” de que as bases do capitalismo – ou ao menos, do neoliberalismo – estão abaladas?

Enfim, previsão ou torcida?

Essa pergunta é mais “profunda” do que parece porque, como disse um articulista do Financial Times, esta é principalmente uma “crise de confiança”. Ou seja, neste exato momento, quando as coisas ainda não parecem claras o bastante, os que torcem pela “queda do Império americano” acreditam piamente que ela nunca esteve tão próximo. Por outro lado, aqueles que crêem na economia de mercado e admiram os EUA, colocam toda sua fé na recuperação da economia americana para o bem de toda humanidade. Eu estou no segundo grupo, mas reconheço que a propaganda antiamericana nunca foi tão forte.

Exatamente por isso, esta crise será um excelente teste de credibilidade para os modelos de avaliação econômica que cada grupo abraça.