A obra de Francis Picabia

Sonhei que perambulava por umas ruas do que seria o centro do Rio, mas que misturava a paisagem de várias cidades reais e imaginárias. Até que me vi perdido numas vielas que lembravam os bairros antigos das cidades árabes em meio a uma chuva súbita que fazia as pessoas correrem para todos os lados. Tentando me localizar, li numa placa o nome da rua onde estava: Picabia.

Fiquei impressionado que houvesse uma rua com o nome desse pintor que no sonho penso ter confundido com Braque, um dos parceiros de Picasso no começo do Cubismo. Assim que acordei fiz uma pesquisa no Google e descobri detalhes sobre a vida e obra de Francis Picabia que eu desconhecia inteiramente. Aliás, fiquei espantado que Picabia fosse para mim apenas pouco mais que um nome.

Na verdade, fiquei encantado com a qualidade de sua obra. Apesar de todo o vanguardismo, suas pinturas possuem um equilíbrio de composição que eu chamaria de “clássico” e sua sensibilidade para cor é surpreendente: os tons e as combinações produzem efeitos raros na dita “arte moderna”. Quando falo ‘efeitos” me refiro a “efeitos sensoriais”: os quadros de Picabia, apesar de sua explícita vinculação com os movimentos mais “rebeldes” da época – dadaísmo, surrealismo, fauvismo, cubismo, etc – são (oh! supremo horror!) agradabilíssimos aos olhos.

Coloquei essa foto para ilustrar o post, porque ela expressa bem o elegante dandismo de Picabia e também porque achei difícil escolher uma obra mais representativa. Prefiro oferecer uns links. Em primeiro lugar, o blog O Século Prodigioso, que além de expor obras de Picabia, faz uma viagem apaixonada e radicalmente pessoal pela arte do século 20.
Depois, esta delícia: a exposição da Tate Gallery sobre o surrealismo focada nas obras de Picabia, Duchamp e Man Ray. Imperdível, para quem pode ir a Londres ou está de viagem marcada para lá.
Há também o ArtCyclopedia que oferece links para uma boa quantidade de obras de Picabia. Para mais detalhes sobre a vida do artista, façam uma pésquisa no Google.