O que é o que é?

Eu olho o mundo com um olhar talvez distraído, muito mais concentrado na minha vida, nas minhas dúvidas. Então acho espantoso que ninguém veja relação entre a afirmação do vice-primeiro-ministro de Israel que um ataque ao Irã é inevitável caso o país não interrompa seu programa nuclear – e todo mundo sabe que eles não vão interromper – e a alta dos preços de petróleo e alimentos. Está bem, a alta veio bem antes da declaração do ministro, mas ele apenas vocalizou o que era já uma possibilidade do conhecimento de todos há muito tempo. Enfim, estaria o mundo fazendo estoques, se preparando para uma guerra?

Não é uma hipótese absurda. As conseqüências de um ataque israelense ao Irã são imprevisíveis, mas é provável que não seja só “mais uma guerra no Oriente Médio”. Como reagirá a Rússia principal aliado dos iranianos? Se, no caso de uma guerra, o Irã fechar a saída do Golfo Pérsico, a Rússia, de maior produtor e exportador de petróleo, pode de repente se tornar também o único fornecedor.

Fiquei pasmo porque, depois da declaração do ministro israelense, não li em lugar nenhum uma projeção dos cenários que poderiam se desdobrar do ataque. Era como se ninguém quisesse tocar no assunto – sei lá, para não atrair energia ruim. Nem falo da hipótese de uma relação entre iminência de guerra e alta dos preços porque ela, nesse contexto supersticioso, até soa “conspiratória” demais.

Pior é ouvir a tese obtusa que Al Gore em algum segundo da vida tenha “se afastado da política” e agora, quase por acaso, cai de pára-quedas na candidatura de Barack Obama para formar a chapa dos sonhos do marketing politicamente correto: “o primeiro negro presidente americano” e “o salvador da Natureza”. O papo ambientalista de Gore é uma mistura de inconsistência, erro e mentira pura e simples – mas ele levou um Oscar e um Nobel por conta dele. E agora quer ser vice de Obama. O que isso significa, afinal?

Duvido muito que Obama aceite Gore como vice. Seria assinar sua sentença de morte – no sentido figurado e, se bobear, no literal também. Pois, se Obama terminasse como mártir, Gore se tornaria o primeiro “presidente do mundo”.

Não sei, às vezes acho que é puro delírio de uma mente distraída. Outras, me parece claro que estão tentando ocultar a realidade com uma rede de significados que diz que as coisas são distintas do que nos aparecem, certos de que a custo de tanto repetir, acabaremos crendo que é de fato como eles contam e não como vemos.