Sobre o tédio olímpico

(A Marie e a Rose deixaram comentários no post abaixo que eu respondi lá mesmo, no espaço de comentários, mas achei legal registrar aqui também: vaidade, tudo é vaidade)

Acho o esporte uma das manifestações mais bem acabadas da solidão humana. Ou melhor: do confronto da solidão (do atleta) com o histérico egoísmo coletivo (do público). A solidão do atleta sempre me encantou. Sobretudo desses atletas olímpicos de esportes individuais e pouco populares. O público não tem sequer a mais relés noção do esforço deles. O público só quer VER performances e contar medalhas.

Então é, no fundo, uma chatice monumental – literalmente. Porque ninguém entende nada – ou quase nada – do que está vendo. Ninguém é capaz de compreender o grau de dificuldade e as sutilezas do performance. Não é como o futebol, por exemplo, que todo mundo joga ou já jogou e sabe portanto apreciar.

2 Comentários

  1. Ó, Antonio, eu vou confessar uma coisa: jogo tênis desde menina -não precisa fazer essa cara de nojo que eu sei que faz tempo pacas. :))) Mas tem esporte que eu não entendo nada mesmo, inclusive futebol, que eu nunca joguei, não, querido. 😉 Um dia te convido pra dormir, digo, me assitir num torneio. Beijo!

  2. “Acho o esporte uma das manifestações mais bem acabadas da solidão humana. Ou melhor: do confronto da solidão do atleta) com histérico egoísmo coletivo (do público)”- É coisa da Antiguidade. Massas vociferando, engolindo nacos de carne e gritando ‘vai’, equilibra, salta, voa. E o ‘vai’ talvez inclua o ‘em meu nome, eu, humano, sedentário, perdedor. Vença em meu nome’.Pra eu pensar que sou Deus.A solidão do atleta, o psiquismo abalado – hoje há psicólogos do esporte, – o medo do fracasso, o pavor de que se esgarcem músculos, ossos. Sangue não cabe. Deuses não falham.Ainda estamos na Antiguidade, Antonio. Vida a Zeus!

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