A comovente Dona Laila

Um texto brilhante de Reinaldo Azevedo:

“Tenho muito frescas na memória suas aulas, tanto as regulares como as especiais. Estou falando de 1971, de tempos rombudos. Não eram dias, sei bem, para proselitismo. Mas ela jamais se ocuparia disso. Não estava lá para nos “libertar” — a não ser da ignorância — ou nos politizar. Tinha outros propósitos: “Menino, você tem de perceber o ritmo do poema!”. Sim, Laila Nicolau se ocupava de ensinar “o ritmo do poema” a filhos de operários. Nós tínhamos esse direito.

Laila Nicolau não ensinava a bater lata.
Laila Nicolau não ensinava a sambar.
Laila Nicolau não ensinava a contestar.
Laila Nicolau não ensinava nada que pudéssemos aprender por nossa própria conta ou que pudesse nos ser ensinado por nossos iguais. Ela estava ali para oferecer um repertório novo e nos tirar daquela forma de solidão que era o nosso mundinho. Ou não terão os pobres nem mesmo o direito à transcendência?” clique para ler