O Imperador de Castrolândia

Essa aí é Yoani Sanchéz a blogueira que inferniza a vida de Castrolândia. A matéria de Época (clique para ler) exibe com delicada clareza o que Fidel e Cuba se tornaram.

Se existisse o troféu Simão Bacamarte ele deveria ser dado a Fidel Castro.

O mais justo seria que depois de formalmente morto ele fosse formolmente ressucitado e exposto junto com a múmia de Lênin em Moscou mesmo. Por um lado Cuba e o próprio Fidel são o exemplo material e histórico de onde a “tirania do bem” pode nos conduzir. Porque simplesmente não existe “tirania do bem”.

Fidel e Cuba são de fato uma patologia, no sentido exemplar do termo.

A resposta – ou melhor “a explicação” – que Fidel dá à existência de Yoani ilustra o que eu quero dizer:

“Em um (longo) prefácio para o livro Fidel, Bolivia y Algo más… Una Visita Histórica al Corazón de América Latina, ele critica Yoani, a quem se refere como “jovem cubana”. No final do texto, publicado pelo jornal Granma, o ex-presidente reproduz sete declarações da blogueira e diz que lamenta que jovens cubanos como ela sejam “enviados especiais para fazer trabalhos secretos e de imprensa neocolonial da antiga metrópole espanhola que os premia”. É uma clara alusão ao Prêmio Ortega y Gasset, oferecido a Yoani em maio pelo jornal espanhol El País e classificado por Fidel como “um dos tantos que o imperialismo oferece para mover as águas de seu moinho”. O governo cubano impediu a blogueira de viajar para Madri e participar do evento promovido pelos espanhóis.”

Eu não tenho a menor dúvida de que Fidel crê no que escreve. E também não creio que ele esteja hoje, aos 82 anos e mais morto que vivo, mais louco do que já tenha sido. Quero dizer: ele continua o mesmo lúcido assassino de sempre.

Ele vê o mundo obstinadamente pelos filtros do leninismo – que é uma doença do olhar que não produz a honesta cegueira mas uma deformação que passa por verdade que só o portador vê. É coom se os daltônicos se achassem portadores de uma leitura privilegiada do mundo apenas porque ela é rara ou “inadequada pela maioria”.

E isso é um fato: toda doutrina revolucionária é necessariamente antidemocrática e golpista. Toda revolução, por definição, é conduzida por uma minoria. Essa essencialmente foi a percepção de Lênin – coerente amplificação do pensamento de Marx.

A crueldade justificada – essa é a tentação diabólica que arruína todas as utopias. A tentação da crueldade é grande. Um ímpeto quase natural ,”privação momentânea da razão”, etc. Dê a ela uma justificativa, um apoio que seja onde ela possa tomar impulso ou se plantar e pronto…

Disse “quase natural” porque a crueldade não é comum na natureza. Eu arriscaria dizer que a crueldade é mesmo rara na natureza. Porque a crueldade é de fato um superfluo, um luxo, uma estetização da violência. A crueldade é o horror, é onde o poder exibe toda a sua arrogância e impunidade, todo seu arbítrio e capricho. A crueldade é, com se vê, sob o ponto de vista da economia natural da vida um desperdício. E por isso, imperdoável.

Se o nome é mesmo um destino, o Imperador de Castrolândia faz juz ao seu: mantém-se fiel ao designo de castrar em nome da Utopia.

Ah, sim! O endereço de Yoani Sanchéz! clique para visitar