Sobre a delinqüência intelectual que assola o país

Demétrio Magnoli, no Estadão

“O historiador Boris Fausto escreveu neste espaço que “os fins não justificam os meios”, mesmo porque estão entrelaçados, mas abriu uma janela de tolerância em nome do imperativo de “combater o mundo submerso”. Os colunistas Fernando de Barros e Silva e Marcelo Coelho, da Folha de S.Paulo, preferiram atirar naqueles que recordam o valor de artigos exóticos como as liberdades individuais. O primeiro, em linguagem reminiscente das ditaduras salvacionistas, sugeriu que os princípios democráticos servem “para preservar privilégios e perpetuar a impunidade”. O segundo, num exercício de delinqüência intelectual, decretou que “uma autoridade grampeada é uma autoridade mais transparente, mais submetida ao controle da sociedade”. Os católicos buscam a salvação pelas obras e os protestantes, pela fé. Coelho propõe a salvação pela polícia, que parece figurar na sua mente como o equivalente da “sociedade”.” clique para ler