A Física e o amor

Ouvi dizer que existe uma qualidade dos átomos que os físicos quânticos chamam de entanglement. A tradução não me ocorre agora, mas é algo como entrelaçamento. Não sei explicar com detalhes, mas, em resumo, se dois átomos iguais ou da mesma origem são separados, o efeito que se provocar em um deles é imediatamente sentido pelo outro, não importa a distância entre eles.

Eu pensava nisso ontem e hoje, mergulhado no mar geladíssimo, imaginando que não importava em que praia você estivesse, pois o mar nos unia: que você sentisse o mesmo prazer que eu sentia me bastava.

Então, apoiado na física – que parece saber mais sobre o amor do que toda a psicologia – concluí que nem era preciso que você estivesse no mar: eu mesmo levaria o mar até você, de tal modo nos sinto entrelaçados.

Finalmente, conjecturei que talvez tudo entre nós seja muito mais simples e irremediável: somos feitos dos átomos da mesma estrela que explodiu há milhões de anos e se espalhou por aí, mutável e eterna…

6 Comentários

  1. Relendo este texto quase quatro anos depois, um dos mais acessados do Café, lembrei que o escrevi pensando – em você, claro – e em um dos textos mais lindos de Rubem Braga:

    O PAVÃO

    Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

    Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

    Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

  2. “Finalmente, conjecturei que talvez tudo entre nós seja muito mais simples e irremediável: somos feitos dos átomos da mesma estrela que explodiu há milhões de anos e se espalhou por aí, mutável e eterna…”falar o quê?essa aí vai primeira no meu quadro..rs

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