De portas e ventos

O vento é a alma invisível do mar. O amor é o mar; nós somos o vento.

Não duvide nunca que você ama. O amor, como o mar, nos abarca, imenso, e perde-se para além de nossa vista. Ambíguo e imprevisível, o mar, como o amor, ora nos encanta com sua calma, ora nos assusta com sua fúria. Ora é ciúmes, ora é compaixão; ora é medo de perder, ora é quase indiferença. Mas é amor sempre – sem que lhe saibam o fim, sem que lhe conheçam a origem.

Deduzimos do ritmo de suas ondas, que o mar como o amor, se contrai e dilata, e intuímos que seja incessante espelho do universo. E então por um instante me convenço que a lei do mundo é o amor: está escrito no mar, está escrito no vento.

Amemos, pois: nada nos resta senão amar. Amar o melhor possível com toda a força de nosso vento.

Porque o vento é alma invisível do mar e somos nós o vento, o vento que torna incerto o mar.

Deixo aberta a porta e que venha você o vento me matar a saudade do mar.