Sofia, 21 anos

Sofia faz 21 anos hoje. Vinte e um anos – e parece que foi ontem tão viva é a memória desses dias de íntima glória, porque nós, nós três, ínfimos e anônimos, chegávamos vitoriosos ao fim de nossa saga – que já contei a você tantas vezes, em crônicas e papos e sonho um dia transformar em romance: “Sofia”. Porque quanto mais o tempo passa e a vida vai ganhando contornos de mitologia, mais acredito que trazer você ao mundo sã e salva foi o que juntou a mim e sua mãe.

Vinte e um anos. Mas o que importa é hoje. Sempre. Se alguma coisa aprendi nesse tempo foi isso: o que importa é hoje. Hoje é o farol que ilumina essas duas longas e brumosas noites, o passado e o futuro. O passado – isso também aprendi, mas ainda custo a acreditar – o passado sempre mais plástico do que o futuro – imprevisível sempre, ou não será futuro.

Porque o amor pode tudo, até mudar o passado – secretíssima alquimia que cada um que a tanto se dedicar há de descobrir. Mudar o passado e nos fazer livres para aceitar o futuro como novidade.

Hoje, diante do mar que tanto amo, bem cedo, pensei em você e no que gostaria de escrever para você. Pensei e senti tanta coisa, mas este pequeno poema com cara de hai-cai que me ocorre agora resume um pouco de tudo.

“O mar é o mesmo,
mas nunca houve nem haverá
duas ondas iguais.”