Para pensar o sincretismo religioso brasileiro

“So to answer your question: yes, all esoteric teachings go back to the same source. Human beings are essentially the same, so what has been received by revelation from the higher worlds is often identical in essence, though it may be coloured by a particular culture.”

Shimon Halevi, numa entrevista ao Skyscript

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Sempre que me dizem que os negros no Brasil adotaram o sincretismo para esconder sua religião sob uma aparência católica, respondo que essa hipótese é empobrecedora, pois não leva em conta a força, a inteligência e a riqueza da cultura Iorubá. Prefiro acreditar que os sacerdotes iorubás ao se depararem com uma religião igualmente monoteísta e com uma narrativa ou mitologia muito semelhante à sua, tenham se maravilhado e visto aí uma prova da unidade do Universo. Aos altos sacerdotes de qualquer tradição as contigências históricas são irrelevantes: sua dimensão é a Eternidade. Sua transitória condição de escravos em nada lhes abalava a diginidade, a sabedoria e a compreensão do Mundo.

Por outro lado, não seria de modo algum estranho ou prova de fraqueza se tivessem reconhecido na mensagem crística que lhes era passada pelos sacerdotes dessa outra religião estranhamente semelhante o anúncio de uma nova etapa cósmica que lançava sua própria tradição a um patamar mais elevado. Sem deixar de ser iorubás, teriam se tornado de bom grado crísticos, numa prova de força, inteligência e vitalidade.

4 Comentários

  1. Volte sempre, Janaína! Alguém que tem o bom gosto de conhecer o Eugénio de Andrade (http://enredosetramas.blogspot.com/) é bem-vindo sempre. Aliás, fiquei realmente agradecido a vc… O cara é ótimo!Quanto ao post, Valéria e Janaína, é uma hipótese. Se tem fundamento ou não, só vendo… Sei q a cultura iorubá é monoteísta e tal… Mas detesto essa abordagem que no fundo opõe uma “cultura má” e uma “cultura boa” – quew foi massacrada, mas um dia resurgirá das cinzas…

  2. Oi, Antônio, vim retribuir a sua visita gentil ao meu blog. Li seus textos, gostei, você escreve bem! E procura pensar sobre as coisas (hoje em dia, isso tá raro, rs). Quanto a este post específico, não sei foi assim, ma è bene trovato… Posso voltar? Abraço!

  3. Oi, Antônio! É uma visão otimista, que nem eu, quando escrevi sobre a eleição do Obama. Pode ser que sim… Mas pelo que vemos nos filmes e lemos nos livros me parece que, da forma que foi feito, foi mais pela força do que pela compreensão. Uma pena!, mas assim caminha a Humanidade… Pelo menos por enquanto!Passou bem o Carnaval? Eu aproveitei bastante. Beijos!

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