Para pensar o sincretismo religioso brasileiro

“So to answer your question: yes, all esoteric teachings go back to the same source. Human beings are essentially the same, so what has been received by revelation from the higher worlds is often identical in essence, though it may be coloured by a particular culture.”

Shimon Halevi, numa entrevista ao Skyscript

***

Sempre que me dizem que os negros no Brasil adotaram o sincretismo para esconder sua religião sob uma aparência católica, respondo que essa hipótese é empobrecedora, pois não leva em conta a força, a inteligência e a riqueza da cultura Iorubá. Prefiro acreditar que os sacerdotes iorubás ao se depararem com uma religião igualmente monoteísta e com uma narrativa ou mitologia muito semelhante à sua, tenham se maravilhado e visto aí uma prova da unidade do Universo. Aos altos sacerdotes de qualquer tradição as contigências históricas são irrelevantes: sua dimensão é a Eternidade. Sua transitória condição de escravos em nada lhes abalava a diginidade, a sabedoria e a compreensão do Mundo.

Por outro lado, não seria de modo algum estranho ou prova de fraqueza se tivessem reconhecido na mensagem crística que lhes era passada pelos sacerdotes dessa outra religião estranhamente semelhante o anúncio de uma nova etapa cósmica que lançava sua própria tradição a um patamar mais elevado. Sem deixar de ser iorubás, teriam se tornado de bom grado crísticos, numa prova de força, inteligência e vitalidade.