Os stalinistas estão chegando

Num arranjo de segundo turno, a ex-candidata a prefeitura do Rio, Jandira Feghali, do PCdoB, acabou premiada pelo prefeito eleito Eduardo Paes com a Secretaria de Cultura. Não era difícil prever o destino da cultura do Rio nas mãos dos comunistas mais retrógados, gente que ainda saúda Stalin como o Guia Genial dos Povos e comemora os aniversários dos ditadores da Coréia do Norte, Ping Pong Jr. ou algo assim, e de Cuba, o Coma Andante Fidel Castro. Se duvidam, basta visitar o site do partido. É das experiências intelectuais mais patéticas a que um ser humano pode se dedicar. Ainda assim, vale a pena.

A crítica de teatro Barbara Heliodora pôs a boca no mundo, em um artigo publicado em O Globo impresso e na versão digital, mas solenmente ignorado pelo bolivariano O Globo Online, editado por crianças recém-saídas dos madrassais esquerdistas que distribuem diplomas de Jornalismo.

Segue então o texto de Heliodora. Espero que ele seja reproduzido em outros blogs e espalhado por aí, via e-mail.

O ideal seria que se criasse uma petição a ser enviada ao prefeito, exigindo a ‘autocrítica’ da secretária ou sua demissão.

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Uma nova censura

Barbara Heliodora, O Globo, em 26.02.09

A triste repercussão dos primeiros atos da secretária da Cultura na área do teatro — demissões dos diretores de todos os teatros da prefeitura, sem qualquer preocupação com o bom ou mau desempenho dos mesmos, também conhecidas como “a saga dos feudos” — acabou por deixar menos notado um aspecto muito mais grave da nova política que passa a orientar (ou, melhor dizendo, a controlar, ou sufocar) a vida teatral do Rio.

Com a mais que surrada justificativa de tornar o teatro carioca mais “democrático” e “popular”, a secretária passa a adotar, neste Brasil razoavelmente democrático, as políticas culturais da falecida URSS ou da época da Revolução Cultural chinesa, que têm por base o controle ideológico da toda atividade artística e cultural. Ninguém pode esquecer a censura de proibição que o Brasil sofreu na segunda metade do século XX, destrutiva e revoltante, cuja estupidez, contudo, por vezes servia de desafio para a criatividade de autores mais ousados. A nova censura da secretária é mais insidiosa e, por isso mesmo, ainda pior, pois nasce da ingerência direta do Estado no processo criativo, com a falsa desculpa de estar trabalhando para o aprimoramento da arte.

Nesse novo mundo “democrático” e “popular”, os novos diretores dos vários teatros continuarão a fazer suas programações para períodos de três meses (com possibilidade de maior flexibilidade), porém — e o “porém” é crucial — não poderão mais aprovar o repertório, pois todos os textos escolhidos nos editais terão de ser submetidos à nomenklatura para serem (ou não) aprovados do ponto de vista ideológico, merecedores dos rótulos definidores da suposta política cultural.

Essa nova censura é, na verdade, um descalabro: seus únicos resultados “democráticos” e “populares” obtidos até hoje são o realismo socialista soviético — brilhantemente descrito, anos atrás, por um adido cultural francês, como “aquelas peças que terminam quando é dito ‘Vamos, querida, vamos ser felizes com o trator que o Estado nos deu’” —, do qual não ficou nada, ou então as grotescas e memoráveis “óperas” da Sra. Mao, de triste memória, que desapareceram sem deixar rastros senão de vergonha e amargura.

Na linha dessa política para as artes, tivemos a ocasião de ouvir, na China, um belo solo de violão, que levava o fenomenal título de “A entrega da colheita ao Estado”.

A ingerência do Estado na criação artística e em qualquer atividade cultural é fatal: seu único objetivo é alimentar o público com chavões ideológicos e cortar qualquer possibilidade de obras imaginativas e/ou realmente reflexivas.

Parece incrível que, neste início do século XXI, a secretária de Cultura ainda queira insistir em tal retrocesso; é preciso tomar sérias providências para que ela não chegue realmente a implantar essa censura ideológica, antes ditatorial do que democrática ou popular.