Por uma filosofia do corpo

(…) e freqüentemente me perguntei se até hoje a filosofia, de modo geral, não teria sido apenas uma interpretação do corpo e uma má compreensão do corpo”.

Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência, tradução Paulo Cézar de Souza

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Este é um trecho logo do início do prólogo tão belo quanto honesto, duas qualidades raríssimas quando se trata de textos filosóficos. A despeito de todos os seus erros e contradições, admitidos ou não, Nietzsche restitui à filosofia um senso de honestidade que me impressiona muito. A abertura desse prólogo é um exemplo dessa disposição de admitir limitações, de exercer uma orgulhosa cautela em face das próprias idéias.