A meditação e o corpo

S. N. Goenka é o professor birmanês que orienta a meditação Vipassana que pratico. Radicado na Índia desde os anos 60, Goenka espalhou centros de meditação pelo mundo todo, sempre fiel a interpretação dos ensinamentos de Buda que trouxe da Birmânia e que, segundo ele, havia se perdido na Índia.

O que me encanta nessa interpretação é sua simplicidade e coerência: nada de cânticos, mantras ou qualquer tipo de vocalização ou mentalização; nenhuma prespiração especial, nenhum “olhar” diferente. Apenas sente de penas cruzadas confortavelmente a frente do corpo, coluna reta (ainda é a melhor postura para meditar, mas se outra lhe parecer melhor, tudo bem), os olhos fechados, a respitação normal e toda a atenção da mente concentrada nas sensações do corpo. E é só. O alcance e a profundidade da técnica só vêm com a prática.

Em entrevista para a newsletter trimestral distribuída entre os alunos antigos, Goenka diz algo sobre o corpo que resolvi reproduzir aqui:

O senhor pode explicar o conceito do Buda de que o universo inteiro está contido no corpo?

De fato, dentro deste corpo gira a roda do vir a ser. Dentro deste corpo está a causa que coloca em movimento a roda do vir a ser. E, portanto, dentro deste corpo pode também ser encontrado o caminho para atingir a libertação da roda do sofrimento. Por esta razão, a investigação do corpo – a direta compreensão correta da realidade física – é de extrema importância para um meditador cujo objetivo seja a libertação de todos os condicionamentos.