Observações de um conservador americano

Jorge Luis Borges gostava de repetir que ser conservador é uma forma de ceticismo.  Borges tem esse dom de revestir qualquer frase de um véu de ambiguidade e ironia que deixa o leitor sempre entregue a si mesmo, sem saber se a máxima borgiana é verdadeira ou falsa, se repeti-la lhe dará um atestado de erudição ou estupidez.

Ler Jeffrey Nyquist mostra o quanto o ceticismo é necessariamente conservador. A descrença no presente e, por consequência, no futuro se dá por contraste a um passado glorioso ou ao menos “consistente”, em que as pessoas se orientavam por princípios claros, aceitando estoicamente o ônus que daí decorra. A marca da decadência talvez seja exatamente a incapacidade de aceitar consequências dolorosas de escolhas e os sacrifícios e responsabilidades que o poder, seja ele qual for, acarreta. Se toda perda transforma o sujeito em uma vítima que exige amparo e todo poder num hedonista irresponsável a civilização corre o risco de afundar em tirania.

“I am amazed by those who think the U.S. economy is going to recover, that global peace is attainable, that American liberties are going to survive American barbarism. Look at our culture today: men are no longer men, and women are no longer women; capitalists no longer uphold free market principles; constitutional government no longer adheres to the Constitution; enemies are treated as friends. Nobody reads the signs. Nobody sees what is coming. Look at the birthrate among Europeans. Look at the abandonment of European culture. Look at the Muslim birthrate. Europe will be Islamic in fifty years. Long before that, the Russians and Chinese will achieve nuclear dominance of the globe. What do you think the investment climate will be in 2059?”

J. R. Nyquist, The Investment Climate in 2059