O poder das palavras

“Os judeus (…) tiveram de fugir com a chegada dos portugueses (em Pernambuco) e 23 deles, sob a direção de Asser Lévy, chegaram em 1654 a Manhattan, onde foram mal recebidos por Peter Stuyvesant, diretor da Companhia (das Índias Ocidentais), que demonstrou sua exasperação em carta enviada a Amsterdam (…) Mas foi reprovado por seus superiores que lhe lembraram que a liberdade de pensamento constituía “a maior glória das Províncias unidas” e lhe ordenaram que “deixasse todos sem interferências em suas crenças” (…)”

Estou relendo um livro delicioso, A Ilha Prometida, de Anka Muhlstein, uma biografia de Nova York. Selecionei esse trecho porque ele é um exemplo do que podem as palavras e os livros.

De cara, uma peça do meu repertório parece ruir: aquela história de uma Nova York fundada por “retirantes pernambucanos” (que tanto agradaria Lula) é falsa. Eu pensava ter lido no Elio Gaspari que foram judeus vindos de Pernambuco  que fundaram Nova York. Pelo que se lê, não é bem assim, mas vou checar.

Depois, o aspecto mais interessante: o espírito liberal de Nova York, entranhado na cidade desde os tempos em que era um entreposto da Companhia das Índias Ocidentais chamado Nova Amsterdam. Isso é tão sensível na cidade até hoje e está presente desde sempre. A Estátua da liberdade não está lá por acaso.

Finalmente, o detalhe mais pessoal, quase íntimo. O nome Stuyvensant ecoou na minha memória até me remeter a uma praça lindíssima e meio escondidinha, bem em frente à Igreja (episcopal) de São Jorge, ali na altura da Union Square. Não passei ali mais do que três vezes, mas lembro de sentar um dia e ficar curtindo a praça, vazia e tranquila, quase fora do tempo. Minha impressão dela é que era bem menor do que aparece no Google Maps (clique aqui para ver).

Para imagens da praça, clique aqui . Vale a pena o passeio.

(Agora olhando com mais atenção no Google Maps, saquei po rque a lembrava menor: ela é cortada ao meio pela Segunda Avenida… )