Como sempre, o amor…

“Você não vale nada, mas eu gosto de você.
Tudo que eu queria era saber por quê.”

A gente nem pode dizer que sejam versos, porque é das frases mais repetidas da lingua portuguesa, uma variação do “eu te amo” que se diz muitas vezes numa história de amor. (Quantas é o tamanho da história…)

De cara a gente associa a momentos de decepção, quando a pessoa descobre que o outro andou aprontando, mas deixa pra lá, porque gosta muito, não vive sem, aquele inferno paradisíaco…

Mas há também situações menos amargas, mais irônicas, em que a pessoa amada se deixa ver em toda sua humanidade e fraqueza, e mesmo em face dessa nudez indesejada e súbita que a desarma, concluímos: “É de você que eu gosto”.

Entenda cada um como quiser, falará muito de si em sua escolha. Mas a verdade é, não importa em que sentido se interprete, se bobo ou bandido: o ritmo do forró e a voz nordestina e estridente de quem canta tornaram os versos uma clara declaração de amor incondicional, simples, clara, verdadeira, sem o menor traço de arrependimento ou autopiedade. Enfim, tudo que se espera de um bom verso e de uma pessoa honesta. “Você não vale nada mas eu gosto de você”. Um amor sem ilusão ou dúvida: conheço muito bem quem gosto. E gosto. Ponto final.

É de uma petulância realista que só rivaliza com a petulância metafísica do verso seguinte: “Tudo que eu queria era saber por quê”.
Pois é: além de incondicional, incondicionado! Não tem porquê. E haverá um por quê? Insinua-se no verso a aceitação de que não há ou, ao menos, de que não é possível saber.

É, o amor é um mistério. Calmo ou ruidoso, claro ou turvo, acolhedor ou traiçoeiro, o amor como o mar, pode ser muitos.