Máximas (ou o máximo que eu consigo)

Perguntam por que não escrevo. Escrevo. Mas é tudo impublicável. Coisas íntimas demais que não quero ver expostas. Coisas que ficam na cozinha. Talvez por isso seja necessário recorrer à ficção: a ficção como uma espécie de pudor.

Alguém disse que a hipocrisia é o tributo que o vício presta à virtude.
Nesse caso,  a ficção é a deferência que o realismo faz ao pudor.

***

Reparo que mesmo quando escrevo para mim, capricho, procuro ser o mais claro, econômico e preciso possível. Quero a verdade quando escrevo. E isso implica a combinação não só dos sentidos das palavras como também de sua sonoridade. Mesmo que elas soem apenas para mim (e ainda bem, porque a verdade dói, às vezes).

***

beleza e eficiencia.
a beleza da dança, a eficiencia da luta.

***

nunca mais é o infinito em negativo
é a negaçao eterna