ainda sobre o final do campeonato ou da fé

Eu percebi, mas foi o roberto assaf, no domingo mesmo, no programa de futegbol da tve, quem deu nome à coisa: quando o gremio fez um a zero no flamengo, houve um silencio monumental no rio de janeiro. Nem vascaínos, nem tricolores, nem botafoguenses comemoraram. Porque naquele dia, o Rio era uma corrente, todos de mãos dadas na maior fé.

Repito este comentário pq é preciso ter uma foto, uma foto em palavras, visto que o silencio é invisivel, dessa fé, dessa comunhão.

Lembro que logo no começo do plano real – para nos matermos coincidentemente no mundo real – houve um momento de comunhão. Com Lula essa comunhão aconteceu logo no começo do primeiro mandato, quando a expectativa em torno do governo dele era moralizante e reformadora.

Esperava-se de Lula (mais justo seria dizer: “eu esperava”) uma continuidade economica e institucional – que de fato houve – mas também que sua popularidade servisse de cacife para as reformas trabalhistas – aquelas que Lula criticou durante toda sua vida sindical – previdencial – encarando de frente a questão “direito adquirido” x “privilégio imposto” – política – só Lula poderia propor, por exemplo, uma nova proporcionalidade no Congreso que de fato espelha-se a distribuição geografica da população.

Nenhuma dessas reformas aconteceu de fato. A sorte conspirou contra Lula. Ou a seu favor, como queiram. Seu governo pegou a “alavancada final” da grande revolução finaceiro-industrial que catapultou russia, china e india – brasil no meio – para o industrialismo de consumo (chamemos assim, na falta de um nome confiável).

Alguém escreveu – e eu guardei esse artigo em algum lugar – que Lula escolheu favorecer o consumo e menos o emprego com essa politica de juros alto e câmbio baixo. Fez bem. O equivalente brasileiro da perversidade do sistema de castas indiano atendia pelo nome de “inflação de demanda”.

Ora, se “demanda” produz “inflação”, sinto muito, não vale a pena trabalhar. Claro, no Brasil essa equação foi distorcida para justificar a exclusão da maioria do acesso ao crédito e portanto ao consumo.

(Com o fim deliberado – e injustificado – de manter a diferença que expressaria a superioridade intelectual, moral, racial de uns sobre outros (superioridade que por sua vez explicaria a diferença econômica, num circulo perfeito! Exatamente o que em lógica é o sinal mais evidente do erro ou da fraude)

Talvez tenha faltado a Lula grandeza para aplicar a popularidade turbinada pela oferta de crédito nas tais reformas de longo prazo. Uso talvez porque também nunca se sabe onde tudo teria dado.

O problema é que é sempre dificil se chegar ao resultado “o homem certo no lugar certo na hora certa”.

Por outro lado, o que aquele silêncio monumental me fez sentir é que há uma vontade de comunhão muito forte nos brasileiros. Uma vontade de superação do que no nosso passado nos impede de avançar mais depressa.

Tarefa essencialmente reformista, que consiste em definir leis mais claras e eficientes. Ou seja, uma tarefa essencialmente juridica que a posterior discussão politica ira tornar constitucional.

No meu cenário ideal para as eleições presidenciais do ano que vem, Serra e Aécio fecham uma chapa em torno do acordo de se acabar com a reeleição já para a eleição de 2014. Lula, claro, aderiria ao pacto por interesse próprio e Aécio só teria que esperar 4 anos – ou no máximo, cinco, se todos decidissem prorrogar o mandato de Serra por um ano, fazendo descoincidir as eleições legislativas, e instituindo  os históricos cinco anos de mandato único para o Executivo.

Nesse tempo, Lula poderia aproveitar para produzir um projeto de Brasil, jogar todo seu cacife pessoal num ousado projeto de reforma institucional que fosse “quase suprapartidário”.

Sonhar não custa nada, já dizia o samba popular…