A farsa do aquecimento global

Rui Moura é o editor do excelente Mitos Climáticos, blog português que há anos se dedica a denunciar a fraude do aquecimento global antropogênico.É leitura minha quase diária. Rui entrevistou Luis Carlos Molion, meteorologista brasileiro e professor da Universidade Federal de Alagoas, um dos muitos cientistas que contestam a farsa.

Rui dividiu a entrevista feita por e-mail em quatro posts, espalhados pelo mês de janeiro. Como ele optou por não habilitar links permanentes para cada post, a solução foi reproduzir aqui no Café a íntegra da entrevista e criar um link para o arquivo de janeiro do Mitos Climáticos. Os blocos da entrevista foram publicados nos dias 6, 8, 12 e 14 de janeiro.

Perguntas e respostas do Prof. Molion ao Mitos Climáticos:

1 – Quais são as falhas contidas nas conclusões propagadas pelo IPCC quanto ao aquecimento global causado pela “acção antropogénica”?

R. O IPCC não comprova que o aquecimento global seja produzido pelo homem. Os estudos realizados mostraram que a variabilidade natural do clima é grande, que o aquecimento global ocorrido está dentro dos limites da variabilidade natural e que é impossível, com o conhecimento actual que se tem sobre o clima, identificar e comprovar a contribuição humana, se é que existe, para esse aquecimento. São 3 argumentos básicos que estão contidos na minha versão mais recente do aquecimento.

A) As séries da temperatura média global não são representactivas. Nos últimos anos, o número de estacções climatométricas foi drasticamente reduzido, de cerca de 14 mil no final da década de 1960 para menos de 1.000 que são utilizadas hoje pelo Goddard Institute for Space Studies (Dr. James Hansen), NASA. A maior parte das estações, que foram desactivadas, estão na zona rural. As de cidades sofrem o efeito da urbanização, o chamado “efeito ilha de calor urbana”, que produz uma tendência de aquecimento.

B) O aumento da concentração de CO2 não se correlaciona com o aumento de temperatura. Após o término da 2ª Guerra Mundial, o consumo de petróleo acelerou e, no entanto, a temperatura média global diminuiu. Em eras passadas, como os interglaciais passados, 130 mil, 250 mil e 360 mil anos atrás, as temperaturas estiveram mais elevadas do que as actuais, com concentrações de CO2 inferiores às actuais. Portanto, não é o CO2 que aumenta a temperatura do ar e, sim, o contrário. O aumento de temperatura provoca aumento da concentração de CO2, principalmente devido ao aquecimento dos oceanos.

C) Finalmente, os modelos de clima usados para as “projecções” da temperatura média global nos próximos 100 anos, são modelos ainda incipientes e não representam a complexidade e interacções dos processos físicos que determinam o clima. Os cenários utilizados pelo IPCC são hipotéticos e é muito provável que não venham a se materializar porque os oceanos, ao se resfriarem, passarão a absorver mais CO2. Ou seja, as simulacções feitas com modelos de clima são meros exercícios académicos e não se prestam à formulação de políticas adequadas para o desenvolvimento da Sociedade.

2 – O que, realmente, está acontecendo com a temperatura do planeta? Como o derretimento das calotas polares pode ser explicado, por exemplo?

R. É inegável que a temperatura global aumentou nos últimos 100 anos, porém foi por processos naturais e não antropogénicos. O gelo do Árctico já derreteu entre 1920 e 1945, quando o homem lançava menos de 10% do carbono que lança hoje na atmosfera. Em 2009, a cobertura de gelo já foi maior que a de 2007, após esse inverno severo que o Hemisfério Norte passou (América do Norte, Sibéria e China).

A permanência do gelo depende do transporte de calor feito pelas correntes marinhas, a Corrente (quente) de Kuroshio no Pacífico (Japão) e a Corrente (quente) do Golfo do México, no Atlântico. Essa última, quando está mais activa, como no período 1995-2007, transporta mais calor para o Árctico e derrete o gelo flutuante. Gelo flutuante, ao derreter, não eleva o nível do mar, pois já desloca o volume que vai ocupar quando fundir. Esse transporte de calor é, em parte, controlado por um ciclo lunar de 18,66 anos, que esteve em seu máximo em 2005-2006. Estudos indicaram que o gelo continental em cima da Groenlândia permanece lá desde a última era glacial, há mais de 15 mil anos. O gelo do Antárctico (Pólo Sul), por sua vez, continuou a crescer nos últimos 60-70 anos.

3 – Que outros estudos desqualificam o consenso dos cientistas vinculados à ONU? Que livros e autores o senhor recomendaria?

R. Dois livros: “The Chilling Stars – a New Theory of Climate Change” de Henrik Svensmark e Nigel Calder e “The Unstoppable Global Warming – Every 1.500 Years” de Fred Singer e Dennis Avery. Outros artigos podem ser encontrados na lista de referências bibliográficas do meu artigo. Um facto digno de nota é que nos últimos 2 mil anos, houve reconhecidamente um aquecimento global entre 800 DC e 1200 DC maior que o actual, o chamado “Óptimo Climático Medieval”. Esse aquecimento permitiu que os Nórdicos (Vikings) colonizassem o norte do Canadá e o sul da Groenlândia (Terra Verde), hoje coberta de gelo. E as concentracções de CO2 eram inferiores a 280 ppmv na época, estima-se!

4 – Há interesses económicos por trás das hipóteses apresentadas por esses pesquisadores do painel climático, materializados, inclusive, pela actuação de ONGs e outras entidades de actuação mundial?

R. É difícil afirmar, actualmente, que haja interesses económicos. Alguns acham que sim, que seria uma “armação” do G7 para desacelerar o desenvolvimento dos países do segundo grupo (Brasil, Rússia, Índia e China = BRIC). O G7 é um grupo de países falidos, como a Inglaterra e Japão, que não dispõem de recursos naturais e energéticos, e sobrevive de explorar financeira e tecnicamente o resto do mundo. Nos últimos anos, prevendo a perda de sua hegemonia, que dura mais de mil anos, “aceitaram” que fosse criado o G20. Para mim, quando ouço o refrão “é preciso reduzir as emissões de carbono…”, eu o entendo como “…há que se reduzir a geração de energia eléctrica…”, para que os países subdesenvolvidos não possam se desenvolver. Isso condena a população desses países a um baixo IDH [Índice de Desenvolvimento Humano].

Talvez seja o renascimento da velha teoria malthusiana, travestida de “conservação ambiental”, uma nova teoria “ecomalthusiana”. Outros, aproveitam para fazer disso um modus vivendi (modo de sobrevivência). Muitos cientistas, por exemplo, aceitam o aquecimento global para poderem receber verbas para seus projectos de pesquisas. E, certamente, muitos outros se aproveitam da situação e da ignorância da população leiga, e porque não dizer de grande parte dos políticos e administradores, sobre o assunto de mudanças climáticas e procuram tirar proveito em benefício próprio. É o caso do comércio de quotas de carbono (“cap and trade”), cujo objectivo certamente não é conservação ambiental. O passar do tempo mostrará os factos reais!

5 – Em que acções mais práticas e benéficas para a humanidade o dinheiro gasto pelo IPCC deveria ser aplicado?

R. O IPCC, em si, não gasta muito dinheiro, mas recomenda pesquisas nas quais se gasta muito dinheiro. Segundo fontes diversas, já foram gastos mais de US$50 biliões com pesquisas, particularmente em desenvolvimento e simulações de modelos de clima e supercomputadores, sobre o aquecimento global nos últimos 15 anos. Pelo menos parte desse dinheiro poderia ter sido revertida para melhorar o IDH de muitos povos, particularmente na África, não excluído o Brasil. As acções não devem ser paternalistas ou assistencialistas e sim visar à transferência de tecnologia (adaptação) para que esses povos caminhem com suas próprias pernas. O velho ditado chinês: “Não dê o peixe, ensine a pescar”.

6 – Pesquisadores que não concordam com a tese do IPCC sofrem algum tipo de retaliação por parte de governos e/ou comunidade académica? Em caso positivo, como esse boicote ocorre?

R. Certamente!. Quem não é a favor do aquecimento global antropogénico sofre retaliações, tendo seus projectos não aprovados e seus artigos não aceites para publicação. Eu, particularmente, não me preocupo com tais boicotes, pois sou professor de universidade pública, concursado e, portanto, não podem me prejudicar directamente. Se não dão recursos para minhas pesquisas, continuo meu trabalho dentro das limitacções que me são impostas. E, estão prejudicando a Nação, a Sociedade e não a minha pessoa em particular.

7 – Como o senhor avalia a cobertura da imprensa brasileira e internacional sobre as alardeadas mudanças climáticas e outras questões ambientais com as quais a sociedade moderna se depara?

R. Infelizmente, a imprensa, nacional e estrangeira, dá uma ênfase exagerada ao aquecimento antropogénico do clima. Em particular, a nossa mídia, televisada e escrita, apenas repete o que vem de fora, sem fazer críticas. Talvez isso ocorra ou por falta de conhecimento, desinteresse dos jornalistas sobre o tema ou interesses dos controladores desses veículos de comunicação. A mídia está impondo uma anestesia, uma verdadeira lavagem cerebral aos cidadãos comuns, que ficam com a impressão de que o homem é responsável pela mudança no clima, o grande vilão. A mídia deveria ser “neutra”, ouvir opiniões contrárias, um veículo de informacções, e tentar apenas relatar o conhecimento científico comprovado e suas limitações.

Mas isso já aconteceu antes. No início dos anos 1940 se dizia que o mundo estava “fervendo e estava sufocante” com o aquecimento natural que ocorreu entre 1925-1946. E, no início dos anos 1970, ao contrário, se dizia que estávamos à beira de uma nova era glacial, devido ao resfriamento global que ocorreu entre 1947-1976. Em adição, exploram os eventos meteorológicos catastróficos que ocorrem como argumento de que o clima está mudando. Eventos severos sempre ocorreram no passado, muito antes de o CO2 chegar a essa concentração. A maior seca no Nordeste do Brasil ocorreu em 1877-1879 em que, segundo Euclides da Cunha em “os Sertões”, morreram meio milhão de nordestinos.

As 3 maiores cheias em Manaus, ocorreram em 1953, 1976 e 1922, quando o Pacífico estava frio. A cheia recorde de 2009 também ocorreu com o Pacífico frio e com a “temperatura média global” em declínio, constatação feita com dados de satélites nos últimos 10 anos. O furacão mais mortífero no EEUU, ocorreu em 1900, Galveston, Texas, que ceifou a vida de mais de 10 mil pessoas, uma época em que a densidade populacional era 6 vezes menor que a de hoje. É preciso não confundir intensidade dos fenómenos meteorológicos com vulnerabilidade da Sociedade, que aumenta com o aumento populacional. Em adição, a Sociedade tende a se aglomerar em grandes cidades e um fenómeno com a mesma intensidade torna-se mais catastrófico actualmente. O homem não tem capacidade de mudar o clima global. Ele tem grande capacidade de modificar seu entorno, seu próprio ambiente.

8 – O senhor crê na ideia de que o Protocolo de Quioto não produz efeitos no clima da Terra? E quanto ao Protocolo de Montreal, que obrigou os 191 países signatários a extinguirem o CFC e outras substâncias destruidoras de ozono?

R. Sob o ponto de vista de efeito-estufa e de aquecimento global, o Protocolo de Kyoto é inútil, assim como serão quaisquer tentativas de reduzir as concentracções de carbono na atmosfera e “combater o efeito-estufa” que venham a sair da COP 15! Nele, é proposta uma redução de 5,2% das emissões relativas aos níveis do ano 1990. Estamos falando de cerca de 0,3 biliões de toneladas de carbono por ano (GtC/ano). Para se ter uma ideia, estima-se que os fluxos naturais entre os oceanos, solos e vegetação somem cerca de 200 GtC/ano. A incerteza admitida nessas estimativas, perfeitamente aceitável, é de 20%, o que representa um total de 40 GtC/ano, para cima ou para baixo (80GtC/ano), 13 vezes mais do que o homem coloca na atmosfera e 270 vezes a redução proposta por Kyoto.

Entretanto, mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) , actividades humanas que reduzam a poluição (note, poluição e não CO2!) do ar, das águas e dos solos, reflorestamento de áreas degradadas, são medidas sempre muito bem vindas e devem ser apoiadas! É importante não confundir conservação ambiental com mudanças climáticas! Aqueça ou esfrie, temos que conservar o ambiente, mudar nossos hábitos de consumo, para a própria sobrevivência da espécie humana! Dados a minha idade (63 anos) e conhecimento dessa área, eu já vi algo muito semelhante ocorrer no passado próximo, utilizando exactamente a mesma “receita”: a eliminação dos CFCs (Protocolo de Montreal) sob a alegação que destruíam a camada de ozono.

Em minha opinião, foi uma grande farsa, um grande golpe económico para que as indústrias, que detinham as patentes dos substitutos e que têm suas matrizes no G7, e lá pagam impostos sobre seus lucros, explorassem os países em desenvolvimento, particularmente os tropicais (Brasil, Índia…) que precisam de refrigeração a baixo custo. É sabido que a concentração de ozono depende da actividade solar, mais especificamente, da produção de radiação ultravioleta (UV) pelo Sol. Ou seja, o ozono não filtra a UV e, sim, a UV é consumida, retirada do fluxo solar para a formação do ozono. O Sol tem um ciclo de 90 anos. Esteve num mínimo desse ciclo no final o Século XIX e na primeira década do Século XX e apresentou um máximo em 1957/58, Ano Geofísico Internacional, quando a rede de medição das concentracções de ozono se expandiu e os dados de ozono passaram a ser amplamente colectados e disseminados.

A partir dos anos 1960, a actividade solar (UV) começou a diminuir e a camada de ozono teve suas concentracções reduzidas paulatinamente. O Sol está iniciando um novo mínimo do ciclo de 90 anos e estará com actividade baixa nos próximos 22 anos, até cerca de 2032. A camada de ozono atingirá seus valores mínimos desde que começou a ser monitorada nesse período. Mas, como os CFCs já foram praticamente eliminados e a exploração económica já foi resolvida, não se fala mais sobre o assunto. Em princípio, o Sol só voltará a um máximo, semelhante ao dos anos 1960, por volta do ano 2050. Só aí, possivelmente, é que a camada de ozono venha a atingir os mesmo níveis dos anos 1950/60. O aquecimento global antropogénico segue a mesma “receita” que eliminou os CFCs. Esses gases estáveis, não tóxicos e não-corrosivos, tinham um terrível “defeito”: não pagavam mais direitos de propriedade (“royalties”). Hoje se vê claramente quem foram os beneficiados por tal falcatrua. Os do aquecimento global antropogénico ainda não são óbvios, mas a História dirá!

9 – A elevada concentração, na atmosfera, de CO2 e outros gases que supostamente causam o efeito de estufa não interfere na saúde humana?

R. O principal gás de efeito-estufa, se é que esse efeito existe, é o vapor d’ água, água na forma de gás. Em alguns lugares e ocasiões, sua concentração chega a ser 100 vezes superior à do CO2. Este, por sua vez, é um gás natural, é o gás da vida. Na hipótese, altamente absurda, de conseguirmos eliminar o CO2 da atmosfera, a vida cessaria na Terra. O homem e os outros animais não produzem os alimentos que consomem. São as plantas que o fazem, por meio da fotossíntese, absorvendo CO2 e produzindo amidos, açúcares e fibras. Outros gases, como metano e óxidos de nitrogénio estão presentes em concentrações muito baixas, que não causam problemas.

A propósito, as concentrações de metano se estabilizaram nos últimos 20 anos, embora as actividades agropecuárias, como orizicultura e pecuária ruminante, continuem a se expandir. A pecuária, por exemplo, cresce numa taxa de 17 milhões de cabeças por ano e o Brasil já passou de 200 milhões de cabeças. Fala-se muito que aumento de temperatura global aumentaria o número de doenças que dependem de mosquitos como vectores (febre amarela, malária, dengue, por exemplo). O mosquito anofelino, que transmite a malária, foi encontrado em tumba de faraó, de mais de 5 mil anos de existência. Convém lembrar que a malária matou milhares de pessoas na Sibéria, nos anos 1920, um período muito frio, e que já foi encontrado Aedes Aegypti vivendo a –15°C (abaixo de zero). Esses mosquitos que passaram por várias mudanças climáticas, já sobreviveram a climas mais quentes e frios e continuam matando seres humanos. Portanto, o problema seria mais de saneamento básico do que clima. Entretanto, todo o esforço que se fizer para diminuir a poluição do ar, águas e solos, será muito benéfico para a Humanidade.

10 – A mudança de paradigma energético não poderia beneficiar a civilização contemporânea e as futuras gerações, promovendo o desenvolvimento de novas tecnologias e gerando emprego e renda no campo e nas cidades?

R. Energia é a mola do desenvolvimento e será o grande problema da Humanidade no futuro próximo. A matriz energética global está baseada em combustíveis fósseis, carvão mineral e petróleo, ambos não-renováveis. Porém, não é o carbono desses combustíveis que polui e sim alguns de seus constituintes, principalmente o enxofre neles contido. O enxofre é poluição e há tecnologia disponível para eliminar sua emissão para a atmosfera. Sua adopção, porém, faria com que a energia eléctrica gerada custasse mais cara! Até se conseguir outras formas não-poluentes de gerar energia, como hidrogénio ou fusão (não fissão) nuclear, é importante que a Humanidade diversifique a matriz energética, explorando as renováveis, como solar e biomassa (lenha, carvão vegetal, etanol e biodiesel). Há que se ter cuidado, porém. Nos EEUU, o etanol está sendo feito de milho e isso está interferindo na cadeia alimentar do ser humano, ou directamente, ou indirectamente uma vez que o milho é um dos componentes das rações animais.

Nota: O Prof. Molion deu uma entrevista para o Programa Canal Livre, TV Band, no domingo passado, dia 10. O programa tem uma audiência de 7 milhões de telespectadores, segundo a emissora. Veja-se a entrevista (nos vídeos 1 a 6) no site:
(www.band.com.br/canallivre/videos.asp).Ela só fica na web até domingo que vem, quando será reposta pela nova entrevista. Parece que está fazendo sucesso.

11 – Por falar em energia, quais as fontes o senhor acredita que o Brasil deveria priorizar para assegurar o crescimento da economia previsto para os próximos anos?

R. O Brasil pode explorar mais a hidroelectricidade, pois ainda tem cerca de 70% de seu potencial inexplorado. E o biodiesel, que hoje é feito de óleo de soja, pode ser feito de óleo de palmáceas nativas amazónicas, como buriti, por exemplo, e de dendê (palma africana), que poderia ser plantada para recuperar as terras desmatadas e degradadas na Amazónia. Existem mais de 660 espécies de palmáceas nativas na Amazónia, que é uma verdadeira “Arábia Saudita” verde e renovável, cujos “poços” estão em cima da superfície. Colhem-se apenas os frutos e, no ciclo seguinte, a planta os renova. Particularmente no Nordeste, pode-se utilizar a energia solar abundante na Região, convertendo-a em energia eléctrica por meio de concentradores solares de calha parabólica, por exemplo.

Há preocupacções com cana-de-açúcar e soja, que são plantações extensas, que dependem das condições climáticas que não serão favoráveis nos próximos 20 anos. A actividade solar estará diminuindo nos próximos 22 anos e o Oceano Pacífico, que ocupa 35% da superfície terrestre, estará esfriando nesse mesmo período. Minha hipótese é que estaremos entrando em um resfriamento global e isso é ruim para o Brasil. A última vez que isso ocorreu, entre 1947-1976, choveu menos e disponibilidade hídrica foi menor e a frequência de geadas foi maior nos invernos. Isso, por exemplo, erradicou o cultivo do café no Paraná. Outra preocupação com cultivos extensos é que, actualmente, não trazem benefício social algum. Há que se encontrar uma forma de evitar esse aspecto para beneficiar a população local. Não sou favorável à energia eólica, pois, além de ter sua implantação dispendiosa, não se têm ventos fortes e persistentes no Brasil, adequados para seu aproveitamento. Vento depende de sistemas de altas e baixas pressões atmosféricas, é errático ou caótico, e não pode ser “programado” para soprar no período de pico de consumo, por exemplo, das 18h às 20h.

12 – O que precisa ser mudado no comportamento da indissolúvel relação que o homem mantém com o meio ambiente?

R. A conservação ambiental é condição essencial para sobrevivência da Humanidade. Temos que mudar nossos hábitos de consumo se quisermos que as geracções futuras tenham condições de vida semelhantes às nossas. E isso não tem nada a ver com mudanças climáticas. Aqueça ou esfrie, a conservação ambiental é necessária.

13 – Como o Brasil deveria gerir o uso dos mais diversos recursos naturais disponíveis em nosso território, principalmente na Amazónia? Que investimentos em ciência e tecnologia têm de ser contemplados?

R. A grande riqueza da Amazónia é sua biodiversidade e o desmatamento acaba com essa biodiversidade. Sabe-se muito pouco dessa biodiversidade, particularmente no que concerne a insectos talvez menos de 10%. Existem técnicas de desenvolvimento para a Amazónia que podem ser aplicadas sem que haja destruição. Os investimentos em C&T devem se voltar para esses aspectos de desenvolvimento duradouro, em harmonia com as condições ambientais. Poderia começar, de imediato, com silvicultura (enriquecimento florestal, com espécies de alto valor comercial), sistemas agroflorestais e agrosilvipastoris, extractivismo de alta tecnologia de fármacos (alcalóides, aminoácidos, por exemplo), óleos essenciais, produtos nutricionais (de plantas e animais), que usam e não destroem a floresta. Em um prazo maior, contemplar pesquisas em recuperação de áreas degradadas, óleoquímica de óleos de palmáceas, fitomelhoramento, bioquímica, bioengenharia, entre outras.

14 – A afirmação que 70% das emissões de carbono brasileiras vem da destruição e queimadas na Amazónia está correcta?

R. Não, esse número é exagerado! Isso porque, para se calcular as emissões de CO2, é necessário se conhecer a densidade da biomasssa, ou seja, quantas toneladas de matéria vegetal seca existe por hectare (t/ha). Um número médio, aceite para a Amazónia Brasileira, é 300 t/ha. Entretanto, a área que está sob pressão da agropecuária, o chamado “arco do desmatamento”, é uma floresta de transição que é submetida a um período de baixa precipitação pluviométrica, estendendo-se de 4 a 6 meses. Nessas áreas, a densidade de biomassa é menor, possivelmente entre 100 t/ha e 150 t/ha e, portanto, mesmo que se considere a libertação de 100% do carbono na queima, o que de facto não ocorre, ainda assim as emissões de carbono na fronteira agrícola seriam da ordem de 50% a 60% menor que as estimadas actualmente. É desnecessário enfatizar que há necessidade de se diminuir o desmatamento, não só por conta da fantástica biodiversidade existente na região, como também pelo facto de o maior impacto do desmatamento ser a erosão, que degrada os solos já pobres, em média, assoreia os rios, muda a qualidade da água e da vida aquática, além de mudar seus regimes hidrológicos.

15 – Outras consideracções importantes ?

R. O homem não tem condições de mudar o clima global, mas tem grande capacidade de modificar/destruir seu ambiente local. A Terra tem 71% de oceanos e 29% de continentes. Desses 29%, metade é constituída de gelo (geleiras) e areia (desertos). Do restante, 7 a 8% estão cobertos com florestas nativas e plantadas. O homem manipula, então, cerca de 7% da superfície global e, portanto, não pode destruir o mundo. Os oceanos, juntamente com a actividade solar, são os principais controladores do clima global. Mas, existem outros controladores externos, como aerossóis vulcânicos e, possivelmente, raios cósmicos galácticos que podem interferir na cobertura de nuvens. Em resumo, o clima da Terra não é resultante apenas do efeito-estufa ou do CO2 e sua concentração. Ele é um produto de tudo que ocorre no Universo e que interage com nosso Planeta. Como foi dito, a conservação ambiental é independente de mudanças climáticas e é necessária para a sobrevivência da Humanidade.