O que é ser conservador

Excelente texto de Olavo de Carvalho. clique para ler

Um exemplo de clareza e concisão. E um ponto de partida para uma discussão sobre a imanência ou transcendência de Deus no Mundo. Se entendi bem, Olavo O crê transcendente e coloca essa crença como princípio fundamental do conservadorismo. É interessante contrapô-lo a Descartes, no Discurso do Método:

“Pois elas me fizeram ver que é possível chegar a conhecimentos que sejam muito úteis à vida, e que, em vez dessa Filosofia especulativa que se ensina nas escolas, se pode encontrar uma outra prática, pela qual, conhecendo a força e as ações do fogo, da água, do ar, dos astros, dos céus e de todos os outros corpos que nos cercam, tão distintamente como conhecemos os diversos misteres de nossos artífices, poderíamos empregá-los da mesma maneira em todos os usos para os quais são próprios, e assim nos tornar como que senhores e possuidores da natureza.” – trecho que me parece uma clara referência à “realização do Reino de Deus na Terra”, projeto (ou utopia) imanentista por excelência? Especulo…

Resisti a reproduzir sem autorização o texto de Olavo (ainda que o tenha copiado para mim o que sugiro a todos).

Mas ao menos este trecho, digamos, como um teaser publicitário:

“O termo “conservador” denota a adesão a princípios e valores atemporais que devem ser conservados a despeito de toda mudança histórica, quando mais não seja porque somente neles e por eles a História adquire uma forma inteligível. Por exemplo, a noção de uma ordem divina do cosmos ou a de uma natureza humana universal e permanente. Fora do quadro delimitado por essas noções, a “História da humanidade” dissolve-se numa poeira de processos temporais heterogêneos, descompassados, inconexos, não raro incomunicáveis e mutuamente incompreensíveis. Só resta então aceitar a completa irracionalidade da existência histórica ou, não podendo suportar essa idéia, fabricar uma unidade postiça, baseada na “luta de classes”, na “luta das raças”, na “evolução animal”, na dialética hegeliana, no determinismo geográfico ou em qualquer outro pseudoprincípio, que pode ser obtido seja pela ampliação hiperbólica de algum fenômeno empírico limitado, seja, nos casos mais graves, pela invencionice pura e simples.”

8 Comentários

  1. Mas é pra viajar mesmo, Melissa. Senão, que graça teria? Depois eu mesmo vou dar minha viajada, mas esta semana não tive muita vontade de viajar, não… rs Veja como o café está empoeirado… No carnaval, eu desconto… De qq maneira, a Dorila deu uns toques bem interessantes… E agora, relendo meu proprio texto, me ocorre pensar se a ideia de um Deus imamente não poderia ser o fundamento de uma metafísica ou uma moral liberal…

  2. Desculpa-me, pode ser que não eu tenha sido muito clara. Como o autor, a minha bronca é como o liberalismo trata as questões pessoais em contraponto ao socialismo, não ao “conservadorismo”. Embora antagônicos no âmbito político-econômico (intervencionismo ou não, etc), o liberalismo não apresenta resposta consistente para as questões pessoais (os vários “ismos” exemplificados pelo autor)e, consequentemente, acaba por se diluir no discurso socialista, como tão bem concluiu Olavo de Carvalho. Assim, o conservadorimo, concebido e fundamentado na transcedência divina, poderia ser a “resposta” não somente àquelas, mas também aos diversos aspectos da existência humana. De certa forma, seria uma “terceira via” entre aqueles dois discursos.

  3. Eu não entendo o ser conservador ou liberal no campo pessoal. Talvez até por ser dos dois um pouco. “Tenho em mim todos os sonhos do mundo.” O texto tá lindo mas senti falta dos flexíveis. Aqueles que conseguem transitar num lado e no outro, tentando entender os dois e colhendo de um e de outro o que cai melhor, com responsabilidade, sempre. Quando um dos lados (conservador e liberal) se faz engenharia da vida, sempre fica idiota porque precisa mentir. Se falei bobagem, desculpa. Mas esse assunto vai longe. 🙂

  4. Gostei do texto. Tenho simpatia pelo discurso “libertário” (acho que no texto tratado como liberalismo) no âmbito político-econômico, mas – como o autor – sinto que deixe a desejar no campo pessoal. Ainda que a responsabilidade seja condição básica para o exercício do livre-arbítrio, a “filosofia” libertária, sem dúvida alguma, mostra-se pouco consistente diante dos vários “ismos” comentados no texto – e tem sido exatamente esta a minha bronca com os libertários. O fundamento numa ordem divina, em sua essência, e, portanto, atemporal, parece ser o caminho mais sensato. Ainda que não se queira mencionar o divino, é incontestável a existência de uma ética humana, óbvia. Só não ver quem não quer.

    PS: onde encontras artigos assim?

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