Liberdade 2

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Anselmo – como Descartes bem nos mostra – fica no campo dos argumentos que a ciência tornará retóricos. Porque a ciência exige que além do argumento exista a experiência: é  preciso que os argumentos sejam também sejam empíricos. Por isso a meditação, porque é uma forma de experiência e não um simples argumento. Kant escolhe ficar por aí, no campo dos argumentos, se perguntando se existir é ou nao é uma perfeição.

Eu afirmo que a experiência do pedaço de será nos mostra a presença do infinito em todo objeto, ou em toda idéia de substância.
Retrospectivamente, posso dizer que a própria ideía de duração – que emerge como critério de existencia – depende da idéia de infinito.
O mundo se dá sob um fundo infinito. A cera quando se dissolve é uma metafora de toda a fisica cartesiana, onde a substancia extensa é isso, flexivel e mutável, capaz de uma infindade incontável de formas.

Não é na aparencia da cera – ou melhor ainda, nas aparencias – que eu vejo o infinito, mas na possibilidade de formas que subexistem simultaneas e virtuais, no pedaço de cera presente.

E, o que diferencia (ontologicamente) o argumento ontologico de Descartes do argumento de Anselmo: descartes experimenta isso no instante mesmo da meditação, numa experiencia que pode ser reproduzida por qualquer meditador atento – nem precisa ser experiente.
E esse é o grande barato cartesiano: tudo pode ser experimentado. E é exatamente isso que é esvaziado pela academia desde q Descartes exibiu o seu texto.