Corações cor-de-rosa

Porque era seu aniversário, enchi uma porção de balões cor-de-rosa em forma de coração e os larguei pela cama para esconder o presente que lhe daria, tão pequeno, tão singelo que talvez, se eu não avissasse que havia algo sob os balões, você nem se desse conta. Depois da surpresa, amontoamos os corações  na poltrona do quarto e eles ficaram lá, quase esquecidos, sem que eu soubesse o que fazer com eles. Deve, claro, ter sido o vento que os foi mansa e silenciosamente espalhando pela casa, aos poucos, como gatinhos curiosos e sorrateiros. Então, de repente, não havia mais lugar onde a gente não se deparasse com um pequeno bando de coraçõezinhos cor-de-rosa. Porque eles andam quase sempre juntos – no mínimo, dois – raro encontrar um sozinho…

São como flores, os balões. Como flores e velas: ocupam a casa e lhe dão mais vida, mais alegria. Impossível agora pensar a casa sem balões, velas e flores. Impossível pensar a vida sem um tanto de absurdo e de tolice. Impossível viver sem andar pela casa chutando balões a luz de velas (e sentindo falta de flores…).