7 de agosto, o fim do mundo

Estou impressionado com o número de pessoas que acessaram o texto que segue logo abaixo desde a publicação no fim de maio.  Especialmente nos últimos dias, vindos do blog Resto do Nada (http://www.restodonada.com) que o citou em um post. Obrigado pela referência.

O texto foi escrito sem muitas pretensões e é um comentário a outro também reproduzido no mesmo post do blog e por isso supõe sua leitura. O texto integral vcs podem ler aqui: (http://www.carlosmaltz.com.br/blog/?p=191).

Nesse texto, o autor, astrólogo, cita os anos  de 1762, 1845 e 1927,  como anos de “eventos paradgmáticos”  e os associa a “Urano e Júpiter nos primeiros graus de Áries.”

Daí tirei a conta dos 83 anos, não tão precisa assim e que causou confusão em alguns leitores. De qualquer modo, o que importa aqui é o argumento de que um olhar sobre o passado sempre encontrará em qualquer ano indícios de algo que HOJE sabemos que estava, naquele momento, acabando ou começando. Não quero com isso invalidar a Astrologia em si, mas acho o argument fraco para fundamentar suas conclusões.

Acho também interessante que se tente aprofundar esse “culto ao fim” de que falo também.

Segue o meu texto citado no Resto do Nada.

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O fim do mundo está marcado para o dia 7 de agosto. Estréia mundial. Porque parece que é só a estréia.

Segundo me disseram, convém vc ficar em casa.

Não sei se vai passar na TV, mas é bem capaz. O que exatamente acontecerá ninguém sabe ou diz.  Mas sabe-se que o fim do mundo não é tarefa de um dia. Não – será só o começo, o começo do fim.  Depois piora e vai assim até… o fim. Quando então…

Mas o que acontecerá nesses dias parece que será algo que não deixará dúvidas sobre seu alcance e a dimensão.

Depois de mais de 20 anos de um contínuo bombardeio de ameaças catastróficas – esfriamento global, aids, aquecimento global, fim do petróleo, fim da água potável, desmatamento, gripes variadas, crises financeiras, guerras e ameaças de guerra – tudo sempre em proporções globais (para não falar, claro, das desgraças locais) e de uma sensível deterioração da inteligência humana em todos os níveis – da piada que se conta no botequim à filosofia que se ensina na Sorbonne – confesso que me tornei um tanto cético e sempre tendo a acreditar que se trata de mais uma farsa com a intenção de produzir mais medo em nossos espíritos para nos tornar cada vez mais conformados e insensíveis _ às desgraças que pretendam nos impor.

Mas agora há um detalhe: não se trata de pesquisas, estudos, modelos, projeções, etc. Agora é um desenho no céu. Está lá: mais empírico impossível. Um desenho que é interpretado segundo uma lógica analógica que deve ter uns 5 mil anos. Ou seja, não inventaram nada agora.

Esse é o único aspecto que me intriga – e preocupa… Não sei se vc me entendem, mas me assusta exatamente pq é astrologia! Não há departamento de Estado ou de marketing que possa contratar Júpiter para estar lá aquela hora, com Marte, Urano, Saturno e Plutão.

Por outro lado, como é algo que acontece de 83 em 83 anos (segundo entendi), dá pra fazer muita coisa coincidir com esse dia. A verdade é que é muito fácil misturar escatologia e história. Seria, enfim, um belo dia para um atentado, o assassianto de uma autoridade – coisas assim de proporção mundial.

Eu nem sou exatamente um cético, mas é impossível pensar em um ano que, olhando retrospectivamente, não contenha elementos do que hoje possamos ver como o “nascimento de algo novo”  ou ” o início do fim de algo velho”.

Por outro lado, como eu disse, há 20 anos somos bombardeados com a ameaça do fim. Acho que hj em dia quase desejamos o fim, pq fomos convencidos de que nós, os herdeiros da cultura greco-romana-judaico-cristã, somos o mal do mundo. E nisso eu não acredito, não acredito mesmo. Porque, não fôssemos nós, o mundo ainda estaria mergulhado em superstição e isolamento, escassez e tirania.

Devemos a nossa cultura um sentido planetário de humanidade. Isso que chamamos de globalização transcende em muito o aspecto meramente econômico e é sobretudo a expressão material de um senso de fraternidade humana que é essencialmente cristão, ocidental. Algo que incomoda a muita gente, a muito mais gente do que imaginamos. Gente que abomina a idéia de liberdade e igualdade – nessa ordem. Ou seja, de uma igualdade fundada na liberdade individual, de uma igualdade entre indivíduos.

A idéia de que somos todos filhos de Deus segue sendo a única idéia revoluciária de fato acontecida neste mundo.

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Um e-mail que recebi veio com este mapa do dia 7 que não sei exatamente a quem atribuir. COmo mapas astrológicos não têm obviamente características marcadamente autoriais, acho que não há problema em repoduzi-lo.