o crédito

A comunhão e o crédito. O Corpo de Cristo é a confiança. A confiança que Deus deposita nos homens. A confirmação da Aliança.

Eu acredito piamente no que dizem Gautama ou Jesus, ou seja, que eles são o Buda e o Cristo. Alguns idiotas sempre me dizem assim: “Mas Buda não disse que era Deus” ou coisa semelhante. Ao que eu nem costumo responder: Buda sabia quem era. E Cristo sabia quem era. Buda, Cristo são o que são. Eles se sabem. Então se Buda não diz que é Deus, mas um Iluminado então ele é isso, um Iluminado, o que não é pouca coisa.

O que é um Iluminado? Uma alma humana que por si mesma resgatou a simultaneidade de todas as suas encarnações neste momento, que entende a “realidade ilusória” do tempo sucessivo, que compreende, sem se aniquilar, o Infinito. Enfim, o Iluminado está inteiro aqui tudo que ele foi e nunca mais será é agora. O Iluminado realiza por si mesmo essa Unidade que o abre para apreciação do Divino. Buda é um Iluminado. O que significa para a humanidade ter um Iluminado presente é algo incalculável, presumo.

Cristo é o Filho de Deus, Cristo é Deus feito Homem. “Somos todos filhos de Deus”. Quer dizer a humanidade ganha um status inusitado que inclui todo mundo: rico, pobre, bêbado, beato, bom, mau e por aí vai. É um duplo movimento estonteante: ele nos eleva e iguala. Mas como isso pode ser o real, o cerne, se a realidade é exatamente o oposto: diferença e desigualdade?

Buda nos legou uma ferramenta poderosa: a meditação vipassana. Cristo nos legou uma nova metafísica – ao mesmo tempo realista – o pão e o vinho, a palavra, a comunhão – e mística, a mística de um “novo tempo”, a mística do reino.

Greco-romano-judaico-cristão: eu adoro essa definição, adoro pertencer a isso. E como “isso”, meditar segundo a técnica que Buda ensinou – mais ou menos na época em que tudo isso começou.

(continua outra hora)