pão dormido

Não mandei nem publiquei esta “newsletter” (que nome isso tem hj?) há uns dias – resultado: caducou. Sirvo agora como torradinhas, enquanto escrevo outro.

Então, há dias, Antonio ia dizendo o seguinte:

“Oi, pessoal:

Como a maioria de nós, estou às voltas com a seleção do Dunguistão e seus adversários do outro mundo. Até agora nenhum grande jogo, apenas momentos de bom futebol intercalados por longos períodos de tédio. Mas são os primeiros jogos, ainda na fase eliminatória. A partir das oitavas começa de fato a Copa, uma sequência de jogos mortais.

Eu acho a Copa do Mundo a competição mais dura de todas. A mais olímpica das competições, digamos assim. Não tem returno. E cada jogo é sempre o último jogo de todos os jogadores.Porque daqui a quatro anos, meu amigo, ninguém sabe.

O mais comum é que o jogador só faça uma Copa, no máximo duas. Meninos-prodígios podem chegar a ir a quatro, como Pelé, Ronaldinho (que Zagalo e Parreira nos privaram de ver jogar junto com Romário numa Copa ou simplesmente com a camisa do Brasil, o que eu acho imperdoável).

E não é só a qualidade do futebol que conta. Às vezes o cara se contunde, aparece alguém melhor ou tão bom do que ele. Há a inteligência de quem convoca. E por aí vai.

E há a coisa do futebol. Outro dia discutíamos numa mesa: eu acho o futebol o mais bonito dos esportes – ou das competições, talvez fosse mais esclarecedor dizer. As dimensões do campo, o número de jogadores tornam o futebol pura geometria em movimento.

Mas o principal vem agora: jogado com os pés. O futebol não se utiliza das mãos – a não ser o goleiro, claro. Jogar bola com os pés é quase antinatural.  Se o objetivo é conduzir uma bola até determinado lugar o mais fácil é fazer isso com as mãos.

Fazer isso com os pés dá ao futebol uma nobreza visível nos jogadores todos sempre muito eretos, peito aberto, cabeça erguida, caminhando e arrancandocoom se montassem cavalos invisíveis ou fossem centauros.

Tudo é muito visível no futebol. E pra fechar, as regras são simplíssimas. Qualquer pessoa que assista pela primeira, compreende as regras de cara.

Por tudo isso, o futebol é o mais plástico de todos os esportes. E o mais popular. E exatamente também por tudo isso , não há outro mais chato. nem corrida de automóvel em circuito oval se compara a um jogo de futebol entre dois times de pernas de pau.”