sobre o relativismo

O relativismo rouba a profundidade do mundo. O mundo torna-se bidimensional como se as multiplas visões possíveis fossem apenas máscaras que se sobrepõem, díspares, as vezes conflitantes, mas todas igualmente de signficado nulo. Elas são o que são: máscaras – que por sua vez podem ser “dissolvidas” se usamos determinadas lentes, lentes de raios-X, por assim dizer. As lentes de raios-X da psicanálise, do marxismo, do casamento dos dois, da releitura do casamento dos dois, e por aí vai.

Estranho esse percurso que ata relativismo e materialismo. Porque o relativismo me parece um, ia dizer “espiritismo”, mas talvez fosse melhor dizer “espectrismo”, porque tudo se reduz a espectros de “algo” talvez inacessível, talvez só acessível sob “determinadas lentes”, como disse antes. A alternativa mais radical é de para além das máscaras nada exista.

Assim, ou o que há não se pode ver; ou há algo que só se pode ver sob “dceertas lentes” – e aí esse algo é a verdade; ou não há verdade nenhuma a não ser a verdade de que não há verdade nenhuma: “por detrás” das coisas não há nada, o que há é a sucessão ou coexistência de “quadros”, “máscaras” que cada um enxerga segundo o seu insignificante ohar, ume espécie de subjetivismo extremo e sem significado.

Como se explica o sucesso da técnica em sua ação no mundo resta inexplicável.

Mas me parece tão óbvio o relativismo conduz a um “realismo desossado”, a uma “materialidade vazia”, tão distante do vigoroso realismo em que eu creio, aquele que crê existir verdade, uma verdade universal e aferível, mas uma verdade inesgotável, uma só verdade, mas profundíssima. “Para cada coisa, uma verdade”, mas uma verdade inesgotável: quanto mais atenção lhe dedico, mas nuances enxergo e mais amor eu sinto pelo objeto de minha atenção.

Os coisas são o que são, mas se olhamos com atenção, cada coisa é todas as coisas, cada coisa é um arquétipo, um arcano, um modelo do universo. Há aqui uma idéia de “fundo comum” – e desse fundo, emerge uma subjetividade que não é mais vazia, isolada, pateticamente sem sentido, mas uma subjetividade verdadeiramente irmanada como todo o universo.

Só existe ciência do singular. Não existem “esquemas” que possam subsitituir a atenção dedicada, o amor. Todos esses “esquemas” não são a realidade, mas “métodos de abordagem” para alcançar determinados fins.