maya e karma

Ilusão e destino seriam as traduções que imediatamente me passariam pela cabeça quando falo em maya e karma. A leitura de O Budismo Zen (The Way of Zen), de Alan Watts, mostra o quanto é superficial essa idéia e como conduz a conclusões erradas que facilmente associam o budismo e taoismo ao idealismo mais reles. Partindo desse ponto, que não esclareço mais para não privá-los da leitura de Watts, digo que maya é também o passado que recobre o presente, anulando sua espontaneidade. Então, se nosso intuito é viver o presente, é preciso antes afastar o “véu de maya” que o anula. Que passado é esse que quase sem que saibamos se infiltra no presente? São os comportamentos que aprendemos, são os traumas, as neuroses, as ilusões complacentes, a coleção de aversões e cobiças que se expressa sob a forma geral de um “eu sou assim”. É o drama infantil, quase sempre familiar, que revivemos, em busca de perdões, vinganças e outras compensações que jamais se cumprirão, porque de novo, apesar de todo o enredo aparentemente novo, a história sempre acabará do mesmo jeito. Essa reptição que se assemelha a um destino (mas não passa de um drama já tão bem ensaiado que até o tomamos por nós mesmos) isso é karma. Fica então fácil entender como maya produz karma e porque a meditação vipassana é uma terapia, uma cura para os “nós emocionais” que são um obstáculo à livre circulação da vida em nós.

(Um pouco do Buda de Borges via Bacia das Almas)