a vida

O animal se resigna à vida. Ser é sua fatalidade. O sentido da vida do tigre é ser tigre, tigremente em toda sua tigralidade. Geração após geração o tigre atacará a manada de búfalos que passa deixando sempre atrás de si os mais fracos, os desvalidos, os desgarrados.

Na natureza tudo é fatalidade. Vista sob um olhar humano, demasiado humano, a natureza é alternadamente previsível e cruel, ainda que sempre linda e maginifcamente simples: a vida só quer viver, incessante. Ela não é irracional, mas absolutamente amoral em sua racionalidade. O que, não se iluda, não chega a ser uma forma de inocência.

Deus fez a vida à sua imagem e semelhança. A vida, portanto, não é igual a Deus, mas semelhante. O que quero é investigar como o finito pode semelhar o infinito, como o tempo pode ser uma “imagem móvel da eternidade”.