Do meu amigo Daniel Leite

A alegria dessa criança é algo que …me surpreende. E também alegra. Então descubro de repente duas coisas óbvias: que a alegria é contagiante e que ela é rara. Rara? O que há de tão incomum nessa alegria líquida e pródiga, essa alegria de chuva? O prazer. Nessa menininha a alegria e o prazer são um só. Serão sempre? Não sei… É algo a se pensar. Estou tão acostumado a usar essas palavras tão separadas, às vezes com sentidos quase opostos, que a mim (friso: a mim) surpreende vê-las juntas.

É claro que há alegria no prazer e prazer na alegria, mas a palavra prazer está tão impregnada de sexo, tão associada a algo que supostamente “podemos obter” ou mesmo, dizem, “devemos obter”, que a alegria parece estar na outra margem, associada a algo que viria espontanea e inesperadamente – como a chuva.

Ou talvez na minha cabeça o prazer seja algo adulto e a alegria algo infantil. Ou ainda, o prazer seja a alegria adulta. De um modo ou de outro, a foto o desmente. Não é nada disso. A foto como que limpa as duas palavras e restitui seu sentido original – como se eu tivesse dado nelas uma mão de tinta verde! Assim verdes, de novo verdes como essa menininha da foto, eu vejo melhor o óbvio: alegria e prazer são o mesmo. Ou estão bem próximas, como frutos da mesma árvore. Ou… Mas não longe, opostas, distantes.