Há essa Lua imensa; há esse vento que dá uma falsa vida aos papéis que voam com súbita elegância sobre a mesa. Há o cheiro de alfazema barata, mas honestíssima, e o remoto latido de um cachorro . Pairo no ar  à altura do oitavo andar, mas posso me imaginar num vilarejo com esse burburinho de gente que modestamente se diverte numa sexta à noite. Há até o som das teclas de máquina de escrever que adicionei ao teclado. Há isso também: uma história que acrescenta brilho aos objetos – a uns mais, a outros, menos. Há, portanto, eu.