Four Quartets

Passei o carnaval lendo e relendo a tradução de Ivan Junqueira dos Four Quartets de T.S. Eliot.  Meu domínio do inglês não seria suficiente para ler no original, mas, depois de relê-los mais alguns vezes, quero fazer uma leitura “comparada”.

Clique aqui para ler os poemas em inglês.

É, acredito, o que a gente poderia chamar de “poesia metafísica”, talvez o gênero mais profundo, mais difícil da literatura, porque combina capacidade argumentativa, poder de síntese, domínio da linguagem poética. Enfim, trata-se de filosofar poeticamente.

Para começar, são poucos os filósofos que escrevem bem. Eu, nas minhas leituras, só encontrei vigor literário em Descartes, Wittgenstein e Nietszche. Há quem goste de Platão. Eu não consigo.  Mas prefiro acreditar que o problema esteja nas traduções. Jamais saberei.

Li muito pouco de Bergson, mas achei claro – o que é a marca do bom escritor. Digo o mesmo de Freud.

Sartre é ótimo romancista, mas como filósofo adota o dialeto da fenomenologia, uma coisa intragável que alcança o insuportável com Heidegger – não sei no original, mas em português, para piorar, os tradutores enchem o texto de hífens, o que dá impressão que além de nazista, Heidegger era também gago.

Um alemão que eu gostaria de ler é Schelling. O resto, dispenso.

De um modo geral, desconfio – e, em geral, rejeito – filósofos que não sabem expor claramente suas idéias. E são poucos os que sabem. E o melhor de todos é Descartes. Meditações Metafísicas continua sendo, na minha opinião, o melhor texto filosófico-literário de todos os tempos. E, dada a profundidade do tema e a qualidade do texto, arrisco dizer que é o livro mais importante escrito por um ser humano. Basta dizer que toda a filosofia moderna gira em torno desse livro – contra ou favor, pouco importa.  Claro, não incluí aqui a Bíblia ou o Evangelho porque suponho que foram escritos sob inspiração direta de Deus – aí é covardia. Humano, humano, ninguém se compara a Descartes em filosofia – na minha modestíssima opinião.