sobre o mal

{Numa sequência numérica, todos os números e combinações estão em Deus. Haverá combinações mais prováveis que tendem a se repetir e outras mais incomuns, raras ou mesmo únicas.

A ação da inteligência pode ordenar – ou perceber ordenações, visto que tudo já está posto como possível. Ordenações coerentes, mas incomuns e mesmo improváveis. A inteligência é capaz de alterar o Mundo. E não há nisso nenhum Mal se respeitamos aquilo que é em cada coisa, aquilo que é cada coisa.}

“O mal não cria, mas ordena”. O que quero dizer com isso? Que o Mal é capaz de agir sobre o Mundo, empurrando para ordenações possíveis mas indesejáveis: esteticamente feias, eticamente ofensivas, juridicamente ilegais, afetivamente imperdoáveis – e por aí vai.

O que é o Mal? O Mal é o erro deliberado.

Conclusão que extraio da máxima de Cristo perfeitamente alinhada com a lógica de Aristóteles: “que teu sim seja sim e que teu não seja não. Tudo mais vem do Maligno”.

Errar deliberadamente é dizer que “o que é, não é” ou que “o que não é, é” – obviamente sabendo que o verdadeiro é exatamente o contrário. Simples assim. E todo mundo sabe disso. O erro não deliberado, aquele atribuivel à falibilidade humana, esse pode ser compreendido e perdoado. Mas o erro deliberado é imperdoável.

O Mal não é uma simples combinação errada de elementos, um erro não-intencional, um engano. O mal é o erro intencional. É a imposição de uma vontade particular sobre a mera continuidade da Vida, por si só finita.