estado de vigília

“Pode dar-se o caso de que por vezes a inteligência roce, como que por acaso, a fronteira dessas regiões selvagens. Aí põe em movimento, durante uma fracção de segundo, as máquinas superiores de que distingue confusamente o ruído. É a minha história da “relavote”, são todos esses fenómenos ditos “parapsicológicos” cuja existência tanto nos perturba, são esses extraordinários e raros fachos iluminativos, um, dois ou três, que a maior parte das pessoas sensitivas sentem no decorrer da vida, e sobretudo nas mais tenras idades.

Transpor essa fronteira (ou, como dizem os textos tradicionais: “entrar no estado de vigília”) provoca um benefício muito maior e não parece ser obra do acaso.

Tudo leva a pensar que essa ultrapassagem exige a reunião e a orientação de um enorme número de forças, exteriores e interiores. Não é absurdo supor que essas forças estão à nossa disposição. Simplesmente, falta-nos o método. Também nos faltava o método, há pouco tempo, para libertar a energia nuclear.

Mas talvez essas forças estejam apenas à nossa disposição no caso de nós comprometermos, para as captar, a totalidade da nossa existência. Os ascetas, os santos, os taumaturgos, os videntes, os poetas e os sábios de génio não dizem outra coisa. E é o que escreve William Temple, moderno poeta americano: “Nenhuma revelação especial é possível se a própria existência não for um instrumento de revelação”.”

Pawels e Bergier, O Despertar dos Mágicos