Midnight Cowboy

É um dos filmes mais tristes que eu lembro de ter visto (o mais triste de todos é Leolo, que pouca gente conhece).  Fala de um modo comovente de fantasias de grandeza esfareladas pela realidade, algo de que quase ninguém escapa incólume nesta vida. Além disso, Jon Voigt e Dustin Hoffman estão soberbos sob a direção precisa de Schlesinger, diretor do também notável O Dia do Gafanhoto.

A música é linda e cantada num tom de lamento, apesar da esperança ingênua e algo melancólica da letra, que parece feita sob medida para o personagem de Voigt.  A supresa foi descobrir que o autor de letra e música é Fred Neil (e não Harry Nilsson, como todo mundo pensa), um desconhecido para mim – e de quem já estou baixando uma coletânea de músicas pelo SoulSeek, porque fiquei impressionado com a sua voz e, claro, por essa letra, que além de toda linda, tem uma estrofe que me comove: ” I’m going where the sun keeps shining / Thru’ the pouring rain/ Going where the weather suits my clothes – especialmente esse último verso:  “indo para onde o clima combine com minhas roupas”. Essa imagem é um resumo perfeito da ânsia de liberdade alegremente arrogante que anima os jovens, em geral, e os anos 60/ 70, em especial. E que, quase sempre, como o filme o demonstra, acaba submetida à “dura realidade”, esse lugar comum incontornável (ou por cujo desvio se paga sempre um alto preço…).

Segue a letra completa (pra cantar junto!) e o clip do YouTube com o Neil cantando.

Everybody’s talking at me
I don’t hear a word they’re saying
Only the echoes of my mind

People stopping staring
I can’t see their faces
Only the shadows of their eyes

I’m going where the sun keeps shining
Thru’ the pouring rain
Going where the weather suits my clothes
Backing off of the North East wind
Sailing on summer breeze
And skipping over the ocean like a stone

2 Comentários

  1. Os acordes dessa música – e a base melódica – deve ter inspirado Roberto e Erasmo no ”Sentado à beira do caminho”. E, em muitas outras canções da dupla.

  2. A canção tb me marcou tanto quanto o filme, mas antes deste, pois só pude assisitir ao filme anos depois do lançamento (talvez por volta de 79). Naquela ocasião, a mensagem que me marcou foi o valor quase ingênuo de um amigo, o significado primordial da amizade e o seu caráter aglutinador e transformador e, paradoxalmente, liberário. Depois, outras leituras vieram, mas a amizade permaneceu como pano de fundo.

    (Por que Midnight Cowboy agora? Qué pasa? Quanto a Leolo – do qual só conheço a sinopse – estranhamente, me lembra Litlle Nemo… claro, nada a ver).

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