Dos fundamentos do Involucionismo

“Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que  ‘o homem vem do macaco’. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum.”

Li isso em algum lugar, não importa mais onde. Que surpresa! De repente, me dei conta de que eu pensava exatamente que um bom resumo do Evolucionismo era “o homem descende do macaco”. Mas, não, não é bem isso! É pior – quero dizer, aparentemente pior. O homem e o macaco descendem de um ancestral comum que, por se tratar de uma teoria evolucionista, tem de ser necessariamente menos evoluído que o homem e o macaco – ou não teria havido evolução. Que lástima? Nem tanto.

Ora, como nunca se encontrou o tal ancestral comum, nem sequer um vestígio dele, podemos especular à vontade sobre sua natureza. Especulação que nos conduzirá aos fundamentos de uma abordagem nova a que já chamei de Involucionismo.

Se, como disse, não há traço desse ancestral comum, nada me impede, a não ser o preconceito evolucionista, de presumi-lo mais evoluído – e não menos. Logo, homens e macacos teriam involuído de um ser superior. Tal hipótese encontra mais amparo lógico do que seu inverso evolucionista – uma vez que, se é inconcebível do menos se produzir o mais, é perfeitamente concebível do mais se produzir o menos.

Por outro lado, como se trata de seres mais evoluídos é ainda mais fácil explicar a ausência de fósseis ou qualquer outra marca de sua presença. Basta imaginá-los incorpóreos. Seres imateriais – ou, com o perdão da ousadia, puramente espirituais. Chamemo-los de anjos – por pura provocação e na falta de outro nome.

Eis então que, partindo das mesmas premissas de Darwin, chegamos a uma teoria não só logicamente mais consistente, como também esteticamente mais agradável.

Cabe agora ao leitor escolher com toda a honestidade a ancestralidade que mais própria lhe pareça – desde que tome a si mesmo como critério.