O que do silêncio se deduz

Assim, desse silêncio que se estende pela manhã nítida e cálida de um dia que ainda é domingo como todos os dias quando ainda dormem os homens, desse silêncio não se deduz a violência que subjaz, a aterradora possibilidade de que tudo acabe de repente, corte brusco, morte, perda ou partida, nomes dessa mesma coisa que se abate de súbito sobre qualquer um, cirúrgica e implacável, como que vinda do Nada e, ao mesmo tempo, carregada de sentidos quase inapreensíveis.

Que acabe é a única cláusula do pacto que é a Vida, porque neste Mundo tudo é finito, mas incessante: não pode haver revolta contra o lento fenecer que é a Vida. Mas o Coração amarga de injustiça na hora derradeira se o fim se dá sem aviso, sem causa aparente, sem nenhum sinal que anuncie o salto da fera sobre a presa distraída.

Não, desse silêncio essa violência não se deduz.

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“Death is always on the way, but the fact that you don’t know when it will arrive seems to take away from the finiteness of life.”  clique

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