três palavras

“… tudo que eu dizia naqueles tempos era adeus.”
Antonio Maria

Eu acrescentaria desculpe e obrigado.

* * *

Seco como tudo que está morto,
confuso como tudo que nasce,
não sei se morro ou se vivo,
cadáver adiado ou alma construída.
Sei que dói – mas já doía.
É só a ferida que de novo se abre,
regular como uma flor,
e sangra.
De novo.

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“Perder-se também é caminho.”
Clarice Lispector

* * *

“De novo”: palavra-chave que desvenda a dor e a revela ao mesmo tempo real e falsa, intensa e repetitiva – como o ator no palco – no palco do meu corpo, da alma que por essa carne se faz, eu querendo ir além de mim…

(Alma, corpo – que diferença faz, afinal? Tudo que sou eu sou agora neste corpo. Então se há alma ela está aqui – e todo poema é psicografia.)

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E eu querendo ir além de mim me digo: “essa dor não é minha e só a mim pertence”.