a lua

É essa lua… Eu não sabia o que era, mas é olhar para o céu e entender o que me vai por dentro. Essa luminosa escuridão que me consome,  sol frio que arde no silêncio bem onde dizem haver um coração – que nesses dias parece nem bater. Intimamente, me esgueiro por minhas sombras em passos de veludo como se meu chão fosse de vidro – e só nessas noites eu sei que é, que é de vidro o chão que piso. Porque são longas essas noites e não há luz que me iluda: eu sou todo noite. Ainda que depois  o que em mim de solar resiste retome as aparências  até que de novo se cumpra o ciclo: eu sou sempre todo noite, ainda que não o queira. E me basta olhar no céu essa lua para sabê-lo.  Ainda que não o queira. Pois, nenhum poder que me atribua vale me sentir assim, tão à mercê do teu excesso e de tua falta, meu magnífico e soturno espelho, minha lua, minha lua, minha máxima lua. Se durmo, me dissolvo em sonhos; insone, me revolvo em fabulações insanas sobre o que poderia ter sido e não foi. Mas não foi aqui – porque em algum lugar, em outro tempo…